Flávio Bolsonaro comprou imóveis com R$ 86,7 mil em espécie, diz jornal

Revelação foi feita pelas construtoras envolvidas na investigação do esquema de rachadinhas da Alerj e pelo próprio senador

atualizado 09/08/2020 11:51

HUGO BARRETO/Metrópoles

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comprou salas comerciais em um bairro nobre do Rio de Janeiro por R$ 86,7 mil em dinheiro vivo, quando ainda era deputado estadual pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo o jornal O Globo, a revelação teria sido feita pelas construtoras envolvidas na investigação do esquema de rachadinhas no órgão, e também pelo próprio parlamentar, em seu depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), em 7 de julho, ao qual a publicação teve acesso.

“Eu saí pedindo dinheiro emprestado para o meu irmão, para o meu pai, eles me emprestaram esse dinheiro. Tá tudo declarado no meu imposto de renda, que foi comprado dessa forma. Depois fui pagando a eles esses empréstimos. Acho que o Jorge [Francisco, pai do secretário-geral da Presidência da República, Jorge Oliveira], que era chefe de gabinete do meu pai, também me ajudou”, afirmou o senador aos promotores.

O depoimento foi feito ao promotor Luis Fernando Ferreira Gomes, que trabalha no inquérito para apurar a prática de rachadinha na Alerj. Durante a conversa, Gomes informou a Flávio que as construtoras Cyrela e a TG Brookfield relataram ao MPRJ que o à época deputado pagou R$ 86.779,43 em espécie, via depósitos bancários, em 2008. Ele comprou 12 salas em um centro comercial de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense.

A venda só foi registrada em cartório em 16 de setembro de 2010: antes o negócio era amparado por um contrato de “instrumento particular de compra e venda”, firmado em 5 de dezembro de 2008. As salas foram vendidas 43 dias após o registro oficial da compra, e o total declarado dessa venda totalizou R$ 2,6 milhões.

Questionado pelo promotor sobre como Flávio teria pago os empréstimos feitos por familiares – o senador não informou qual irmão teria lhe ajudado –, ele informou que também os ressarciu com dinheiro vivo.

Outro lado 

A defesa do senador Flávio Bolsonaro disse ter recebido com “perplexidade” os “vazamentos das peças e áudios do procedimento que tramita sob sigilo”. Veja a nota na íntegra:

Nota da defesa

A defesa do senador Flávio Bolsonaro tem recebido com perplexidade as notícias de vazamento das peças e áudios do procedimento que tramita sob sigilo, o qual é reforçado e afiançado às partes, pelos próprios membros do Ministério Público, ao início de cada ato processual.

Em tendo sido provada a ineficiência do sigilo imposto judicialmente à investigação, esclarece a defesa que a partir deste momento não serão mais permitidos os registros audiovisuais do Senador durante as suas manifestações procedimentais, além do que ainda esta semana representará aos órgãos de correição do MPF para que apure a falta e o delito, se houver.

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