“Com a caneta eu tenho mais poder do que você”, diz Bolsonaro a Maia

Presidente também ameaçou voltar a usar sua Bic para revogar normas que atrapalhem o crescimento econômico do país

atualizado 29/05/2019 1:19

Isac Nóbrega/PR

Ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, e do comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse na noite desta terça-feira (28/05/2019) que tem mais poder que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O chefe do Executivo federal também ameaçou voltar a usar sua “caneta Bic” para revogar qualquer norma que, por ventura, ponha em risco o crescimento econômico do país, atrapalhando “quem quer produzir e investir”. O discurso ocorreu durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista da Marinha Mercante Brasileira.

“Eu disse para ele, Maia: com a caneta, eu tenho muito mais poder do que você, apesar de você fazer as leis. Eu tenho o poder de fazer decretos. Evidente que decretos com fundamentos. E falei para ele da baía de Angra [dos Reis, no Rio de Janeiro]. Nós podemos ser protagonistas para que a baía de Angra seja uma nova Cancún”, afirmou Bolsonaro, mencionando o café da manhã realizado nesta terça, com a presença dos presidentes da Câmara, do Supremo e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Nós devemos começar a tirar esse sonho do papel com uma caneta Bic, revogando um decreto, que demarcou estação ecológica de Tamoios em 1988, lá no governo Sarney”, completou o presidente da República. Segundo ele, quanto à desburocratização da economia do país, “não atrapalhar já é uma ajuda”.

O que eu tenho a oferecer aos senhores é desregulamentar muita coisa. O Brasil está cheio de decretos. Uma caneta Bic resolve esse problemas. Está cheio de portarias, de instruções normativas, parte perfeitamente descartável, servindo apenas para atrapalhar quem quer produzir

Trecho de discurso de Jair Bolsonaro

Enquanto o presidente discursava, o Senado impunha uma meia derrota ao Planalto: os senadores aprovaram a reestruturação administrativa proposta pela gestão Bolsonaro, mantendo a União com 22 em vez de 29 ministérios, mas retirou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o restituiu ao Ministério da Economia, de Paulo Guedes.

Antecipando uma derrota nesse sentido, o próprio presidente encaminhou carta aos parlamentares, pedindo que o Coaf ficasse mesmo com Guedes, a fim de que a chamada MP dos Ministérios não caducasse sem ser votada ou precisasse passar por nova apreciação na Câmara.  O Podemos já disse que acionará o Supremo Tribunal Federal para manter o conselho de fiscalização com o ex-juiz da Lava Jato.

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