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Política

Dividido, PT não deve fechar apoio à CPI da Rachadinha no Senado

Os seis senadores do PT têm opiniões diversas sobre a abertura de uma CPI destinada exclusivamente a investigar Bolsonaro

10/11/2021 04:45
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Pedro França/Agência Senado
Dividido, PT não deve fechar apoio à CPI da Rachadinha no Senado

Tida como nova arma da oposição para fazer frente ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a instalação de uma nova comissão parlamentar de inquérito (CPI), destinada exclusivamente a apurar suposto esquema de rachadinha ocorrido no gabinete do ex-deputado federal e atual chefe do Executivo federal, ainda não tem assinaturas suficientes para sair do papel e sofre resistência – inclusive, de senadores opositores ao governo.

De autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), o requerimento para que a CPI da Rachadinha seja instalada tem, hoje, 12 assinaturas das 27 necessárias. Das inscrições, duas são dos senadores petistas Humberto Costa (PE) e Rogério Carvalho (SE). Apesar do apoio da dupla, a bancada do PT no Senado está dividida sobre defender ou não a abertura da comissão.

Conforme apurado pelo Metrópoles, parte dos senadores discorda do objeto a ser investigado pela comissão. Há, internamente, um entendimento de que uma CPI apenas destinada a “sangrar Bolsonaro não pegaria nada bem”. O tema, contudo, ainda deverá ser discutido pelos parlamentares na próxima terça-feira (9/11).

À reportagem senadores não se manifestaram publicamente, pelo menos enquanto o assunto não for debatido pela bancada. Fontes do partido confirmam, porém, a informação de que parte dos petistas não deverá sustentar o pedido de Vieira.

Alguns senadores têm externado o entendimento de que a instalação de uma nova comissão parlamentar para investigar Bolsonaro configuraria “banalização” das comissões parlamentares.

Além disso, outra ponderação que paira contra pedido de Vieira é que não é politicamente viável colocar o Senado mais tempo abraçado a uma investigação sobre os esquemas do clã Bolsonaro, como ocorreu nos seis meses em que toda a articulação política na Casa girou em torno da CPI da Covid-19.

Há também o temor de que uma nova comissão ofusque os resultados da CPI da pandemia, que sugeriu o indiciamento de Bolsonaro, por nove crimes, além de filhos do presidente.
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Senador Humberto Costa (PT-PE) apoia a nova CPI
Senador Rogério Carvalho é outro da bancada que apoia a nova comissão
CPI da Covid
CPI da Covid encerrou os trabalhos em 26 de outubro e relatório final já foi entregue às autoridades
Senador Alessandro Vieira (PSDB-ES)
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Senador Alessandro Vieira (PSDB-ES)

Waldemir Barreto/Agência Senado
Senador Humberto Costa (PT-PE) apoia a nova CPI
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Senador Humberto Costa (PT-PE) apoia a nova CPI

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Senador Rogério Carvalho é outro da bancada que apoia a nova comissão
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Senador Rogério Carvalho é outro da bancada que apoia a nova comissão

Igo Estrela/Metrópoles
CPI da Covid
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CPI da Covid

Jefferson Rudy/Agência Senado
CPI da Covid encerrou os trabalhos em 26 de outubro e relatório final já foi entregue às autoridades
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CPI da Covid encerrou os trabalhos em 26 de outubro e relatório final já foi entregue às autoridades

Jefferson Rudy/Agência Senado
CPI só em 2022

Caso consigam as assinaturas necessárias, os apoiadores da criação da CPI da Rachadinha ainda terão de convencer o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a fazer a leitura do requerimento de abertura. O rito marca, oficialmente, a instalação dos trabalhos do grupo de senadores e abre prazo para indicação dos membros pelas lideranças partidárias.

No que depender do senador mineiro, a realização da CPI da Rachadinha – caso ocorra – só será possível em meados de 2022, uma vez que há um acordo verbal entre o presidente da Casa e o senador Plínio Valério (PSDB-AM) para que, com o fim dos trabalhos da CPI da Covid, se dê prosseguimento à CPI das ONGs da Amazônia.

De autoria do senador amazonense, a comissão é destinada a investigar a atuação de organizações não governamentais na Amazônia. O parlamentar aponta que as entidades teriam atuação suspeita na região, tendo comprado milhares de hectares de terra em locais estratégicos, que funcionariam como reservas de petróleo e gás natural.

O requerimento de instalação da CPI das ONGs da Amazônia já foi lido em plenário e aguarda, no momento, a indicação para composição do colegiado.

Pelo regimento interno do Senado, havia previsão de que a comissão fosse instalada, inclusive, antes da CPI da Covid. Entretanto, Pacheco se viu pressionado a “furar a fila” e passar na frente a investigação sobre crimes ocorridos durante a pandemia, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando a instalação imediata do colegiado.

Eleições e Flávio

Senadores que torcem o nariz para a CPI da Rachadinha entendem que outro ponto a pesar contra o apoio unânime dos petistas à ideia é a avaliação de que uma nova comissão em ano eleitoral também não faria bem à imagem do candidato do partido à Presidência, o ex-presidente Lula.

O entendimento é de que indicar senadores do PT para compor o colegiado em plena disputa eleitoral legitimaria um eventual discurso de “perseguição política” a ser defendido por Bolsonaro e seria prejudicial à imagem do partido durante as eleições.

Outro ponto a pesar contra apoio unânime do partido para a CPI da Rachadinha é um suposto envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) nos esquemas denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra o filho 01 de Bolsonaro quando era deputado estadual.

O filho do presidente estaria no centro das investigações sobre os esquemas de rachadinhas em seus gabinetes, no caso de nova CPI, e o entendimento é de que a abertura de uma nova comissão parlamentar para atingir um senador, mesmo que filho de Bolsonaro, provocaria um conflito ético.