Deputados cometem equívocos ao debater nova denúncia contra Temer
A Agência Lupa checou alguns dos argumentos dos parlamentares durante as sessões da CCJ da Câmara. Veja os resultados

Nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados debateu o relatório de Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) sobre a segunda denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer. Ele é acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção passiva e obstrução da justiça. Na semana passada, o relator apresentou um parecer pedindo a rejeição da denúncia. A Lupa checou alguns dos argumentos dos parlamentares durante as sessões da CCJ.
“O que Rodrigo Janot fez (…) nos investimentos (…) estrangeiros do Brasil não tem retorno”
Deputado federal Paulo Maluf (PP-SP)

FALSO
Maluf tentou relacionar uma queda nos investimentos estrangeiros no Brasil à repercussão da delação dos irmãos Wesley e Joesley Batista, homologada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em maio deste ano. Mas os investimentos estrangeiros cresceram desde aquele mês. Segundo dados fornecidos pelo Banco Central (BC)
Procurado, não retornou.
“As provas (da denúncia) são telefonemas e conversas”
Deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS)

EXAGERADO
A segunda denúncia
Procurado, o deputado não retornou.
“97% do povo brasileiro não deseja ter mais Michel Temer como seu presidente”
Deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ)

EXAGERADO
O Ibope divulgou no dia 29 de setembro uma pesquisa com a avaliação do governo do presidente Temer. Nela, 77% dos entrevistados avaliaram a administração do peemedebista como ruim ou péssima. Outros 16% classificaram como regular, e apenas 3% consideraram o governo como ótimo ou bom. Com relação a maneira de governar, 89% dos entrevistados disseram que não aprovam o modo como Temer tem conduzido o país. O instituto, porém, não questionou os entrevistados sobre a permanência do presidente no poder. Pesquisou somente como a população avalia o governo.
Procurado, Molon disse que estava se referindo à pesquisa do Ibope e que, em seu entendimento, “isto revela a total falta de apoio do presidente Michel Temer para continuar à frente da Presidência da República”.
“Havendo fortes indícios de que as gravações [entre Joesley Batista e Temer] foram alteradas e tiveram partes suprimidas”
Deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)

FALSO
O
Procurado, o deputado não retornou.
“Ele [Eduardo Cunha] só tá preso porque um partido entrou no Conselho de Ética dessa casa”
Deputado federal Ivan Valente (Psol-RJ)

EXAGERADO
O processo que tramitou no Conselho de Ética da Câmara para cassar o mandato do deputado Eduardo Cunha foi feito pelo Psol e pela Rede em outubro de 2015. Depois disso, 46 parlamentares de outros cinco partidos somaram-se à representação inicial. Antes da conclusão do processo na Comissão de Ética, o STF suspendeu o mandato do deputado e, por consequência, da função de presidente da Câmara. O mandato do deputado só foi cassado em setembro do ano passado. A prisão, preventiva, foi pedida pelo juiz Sergio Moro
Procurado, Ivan Valente disse, por nota, que foi o Psol que teve a iniciativa de entrar no conselho e elaborou o documento de representação. “A Rede reconheceu a importância do pedido e o assinou o nosso pedido”, informou.
*Parte desta reportagem foi publicada na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 20 de outubro de 2017.


