Deputado do PSL diz que “negros cometem mais crimes”

Daniel Silveira (PSL-RJ), o mesmo que rasgou a placa com o nome de Marielle Franco, diz que quer apertar a mão de colega que destruiu placa

Reprodução/Twitter

atualizado 19/11/2019 18:58

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), o mesmo que quebrou a placa com o nome da vereadora Marielle Franco, morta em um atentado no Rio de Janeiro no início do ano passado, ocupou a tribuna da Câmara logo após atos de vandalismo contra uma exposição sobre a Consciência Negra.

Ele classificou de “falácia” a existência de “genocídio contra a população negra” e alegou que, se mais negros são mortos ou presos pela polícia, é porque mais negros cometem crimes.

“Por sua vez, os negros são as principais vítimas da ação letal das polícias. Só que também, como a maior parte da população carcerária é formada por negros no Brasil, é porque mais negros cometem crimes. E vão dizer mais uma vez ‘Eu não tive oportunidade da sociedade’. Não quis estudar, preferiu furtar”, disse o deputado, logo após seu colega de partido deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) rasgar uma placa na abertura de uma exposição em comemoração ao Dia da Consciência Negra, no Hall da Taquigrafia da Câmara dos Deputados.

“Esse tipo de evento foi patrocinado pela esquerda e nessa Casa isso não pode acontecer”, reclamou Daniel Silveira.

Ele disse ainda que execuções de negros podem ocorrer, mas que não são corriqueiras. “Claro que pode acontecer uma execução. Nós não temos como filtrar tudo, mas um policial militar, eu garanto, ele não entra na favela atirando a esmo para poder matar o negro, não. Se fosse um branco, caucasiano mesmo, segurando um fuzil e confrontando a polícia também morreria. Não dá para atirar flores em quem te atira bala ou chumbo”, disse o deputado.

“Essa mentira sobre o genocídio da população negra promovido pela Polícia Militar do Estadodo Rio de Janeiro não existe”, enfatizou.

Daniel Silveira, que exibe pedaços da placa que rasgou em seu gabinete na Câmara, disse que quer cumprimentar o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) pela ação de destruir a placa da exposição. “Quero até saber quem é esse deputado que eu quero apertar a mão dele”, disse.

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