Consciência Negra: deputado do PSL quebra obra em exposição. Veja

Coronel Tadeu (PSL-SP) vandalizou exposição em homenagem ao Dia da Consciência Negra, que é celebrado nesta quarta. Oposição pede cassação

Raphael Veleda/MetrópolesRaphael Veleda/Metrópoles

atualizado 19/11/2019 19:35

Na véspera do Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quarta-feira (20/11/2019), deputados ligados à chamada Bancada da Bala atacaram uma exposição de arte que estava sendo lançada em um dos corredores da Câmara dos Deputados. A mostra tem obras retratando, entre outras cenas, imagens de violência policial contra negros.

O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), um dos integrantes da ala “bivarista” do partido, chegou a quebrar uma das imagens, que mostrava uma pessoa morta, algemada, enrolada em uma bandeira do Brasil, com um policial em pé ao lado com uma arma ainda fumegante. Outros deputados que se mostravam inconformados com a exposição eram Professor Joziel (PSL-RJ), que bradava contra as obras, e Major Fabiana (PSL-RJ).

O incidente logo atraiu deputados de partidos de esquerda, e a confusão se agravou. A gaúcha Fernanda Melchionna (PSol-RS) publicou um vídeo no Twitter:

A também gaúcha Maria do Rosário (PT) defendeu que o Conselho de Ética debata a cassação de Coronel Tadeu. Benedita da Silva (PT-RJ), Talíria Petrone (PSol-RJ) e Áurea Carolina (PSol-MG) estão na Polícia Legislativa registrando queixa contra Tadeu.

Outras imagens:

Mais cedo
Pouco antes da confusão, outro integrante da Bancada da Bala na Câmara pedira ao presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que retirasse  imagem de violência policial contra a população negra.

“Cumprimentando-o cordialmente, venho, por meio deste, como Presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública e da Comissão de Segurança Pública, solicitar a Vossa Excelência a retirada da imagem anexa, que está afixada no túnel localizado entre o Anexo II e o Plenário da Câmara dos Deputados”, escreveu o deputado Capitão Augusto (PR-SP) ao presidente da Câmara.

Para os deputados, “há a absurda atribuição da responsabilidade pelo genocídio da população negra aos policiais militares, prestando-se, assim, verdadeiro desserviço junto à população que trafega pelas dependências da Câmara, retratando negativamente o salutar papel dos policiais militares para a manutenção da ordem pública no nosso país”.

O parlamentar argumenta que “os policiais militares, que todos os dias colocam suas vidas e de suas famílias em risco para garantir o bem estar dos nossos cidadãos, devem ser reconhecidos, privilegiados e valorizados”.

“Não pode esta Casa compactuar com essa desnecessária e inoportuna manifestação de desonra e generalização de ilegalidade na atuação dos policiais”, concluiu. O pedido foi entregue na tarde desta terça-feira (19/11/2019) a Rodrigo Maia.

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