Barros diz que CPI afastou fabricantes de vacinas e sessão é suspensa

O líder do governo na Câmara dos Deputados presta depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (12/8)

atualizado 12/08/2021 13:24

Ricardo Barros_CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

A CPI da Covid-19 desta quinta-feira (12/8) foi suspensa após o depoente, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, afirmar que o colegiado afastou fabricantes de vacinas contra a Covid-19.

“Espero que a CPI produza efeitos positivos para o Brasil porque o negativo já produziu muito. Afastou muitas empresas”, afirmou. A fala provocou revolta em alguns senadores e o presidente do colegiado, Omar Aziz, suspendeu a sessão para reavaliar o convite feito ao deputado para depor.

“Maior absurdo que foi dito por essa CPI até agora”, resumiu a senadora Simone Tebet. Ela defendeu o fim da sessão desta quinta. “Por mim, escancarava agora o contrato [da Covaxin] e só depois da vinda de todos os personagens que temos que trazer o líder do governo. Inclusive, para pedir desculpa a esta CPI. A CPI repudia veementemente a fala do líder do governo Ricardo Barros”, completou.

Antes, o parlamentar afirmou que o colega de Câmara Luis Miranda (DEM-DF) quebrou a confiança do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao relatar uma conversa com o chefe do Executivo sobre possíveis irregularidades no Ministério da Saúde.

Barros presta depoimento após ter sido supostamente citado pelo presidente Bolsonaro em conversa com o deputado Luis Miranda e o irmão Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Acompanhe:

Os irmãos foram levar ao mandatário do país denúncias de irregularidades na aquisição da vacina indiana Covaxin pelo governo federal. Na ocasião, Bolsonaro teria insinuado envolvimento de Barros com as ilicitudes dos trâmites. Ele nega.

Barros defendeu que as declarações do colega parlamentar são “narrativas” e “versões” e que não precisou tratar com Bolsonaro do assunto por entender que ele nunca ocorreu.

O deputado negou qualquer envolvimento nas tratativas da vacina indiana Covaxin. Barros disse que “não teve nenhum contato com nenhuma pessoa envolvida nisso”. “Nunca me procuraram para auxiliar na venda de vacinas para o Brasil. Em nenhum momento, ninguém ligado a esta empresa [Precisa Medicamentos, investigada pela CPI] me procurou”.

A Covaxin é uma vacina produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech e negociada com o Ministério da Saúde, por meio da empresa intermediária Precisa Medicamentos.

O governo empenhou — reservou para este fim, sem a possibilidade de remanejamento — o valor de R$ 1,6 bilhão para comprar a Covaxin, mas, após as irregularidades virem à tona, suspendeu o contrato. A Bharat cancelou o acordo com a Precisa.

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Após ser citado, Barros se manifestou diversas vezes negando qualquer participação no caso e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que o depoimento dele fosse marcado o quanto antes.

O líder do governo é autor de uma emenda à Medida Provisória n° 1026, das vacinas contra a Covid-19, que possibilitou a importação do imunizante. O parlamentar também teve os sigilos de dados telefônico, fiscal, bancário e telemático quebrados pela comissão.

Global

Os senadores querem saber da relação de Barros com o sócio da Precisa, Francisco Maximiano, que também era sócio da Global Gestão em Saúde.

Barros e a empresa foram alvos de ação de improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal (MPF) por favorecimento de empresas, inobservância da legislação administrativa, de licitações e sanitária, prejuízo ao patrimônio público, descumprimento de centenas de decisões judiciais, entre outros motivos.

Quando Barros era ministro da Saúde, a Global celebrou contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos raros, recebeu o pagamento antecipado e não entregou os fármacos. O prejuízo ao erário foi de cerca de R$ 20 milhões.

O caso Covaxin está na pauta da CPI da Covid na próxima semana. Uma acareação entre o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni (DEM), e Luis Miranda será realizada na quarta-feira (18/8) e o depoimento de Maximiano, na próxima quinta-feira (19/8).

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