CPI da Covid convida Osmar Terra e convoca ex-secretário do DF e auditor do TCU

Senadores aprovaram requerimentos durante sessão do colegiado na manhã desta quarta-feira (9/6)

atualizado 09/06/2021 11:39

Valter Campanato/Agência Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid votou e aprovou, na última terça-feira (8/6), o convite ao deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), apontado como integrante do chamado “gabinete paralelo“, para comparecer ao colegiado.

Os senadores também aprovaram a convocação do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, autor do relatório que questiona número de mortes por Covid-19 apontado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e do ex-secretário de Saúde do DF Francisco Araújo.

Marques atua na Secretaria de Controle Externo do TCU da Saúde e mora em Jundiaí (SP). O Metrópoles confirmou que o servidor tem ligação com a família Bolsonaro, é crítico do PSol e da imprensa. Ainda não há informações sobre a manutenção das demais atividades do servidor e o recebimento de remuneração.

Em nota, o TCU defendeu que o documento elaborado é uma “análise pessoal” de um servidor do tribunal. O órgão afirmou nessa terça-feira (8/6) que vai abrir sindicância para apurar se houve alguma “inadequação de conduta funcional” no caso. O servidor foi afastado das funções.

Convite

Terra irá ao colegiado na condição de convidado, uma vez que, por ser deputado federal, não pode ser alvo de investigação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal. O convite permite ao emedebista se recusar a comparecer na CPI da Covid.

O convite de Terra ocorre dias após o Metrópoles revelar a atuação dele e do médico Paolo Zanotto no grupo suspeito de prestar assessoramento paralelo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre medidas de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Em gravações compiladas e divulgadas pela reportagem, a dupla pede ao mandatário do país que repense a aquisição de vacinas contra Covid-19, relativiza a eficácia dos imunizantes para controle de casos, defende a tese da imunidade de rebanho por exposição ao vírus e sugere a criação de um “shadow cabinet”.

A divulgação do material provocou reação imediata no comando do colegiado. Três senadores pediram a ida de Terra ao plenário da comissão: Alessandro Vieira (Cidadania-SE); Rogério Carvalho (PT-SE) e o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que é, também, o autor do requerimento de convocação de Zanoto.

“Ministério paralelo”

Imagens obtidas pelo Metrópoles e divulgadas na última sexta-feira (4/6) mostram o aconselhamento do chamado “ministério paralelo” sendo feito diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) — com ressalvas à aplicação de vacinas. Trechos de uma reunião, ocorrida em 8 de setembro, também confirmam que Arthur Weintraub intermediava os contatos entre o grupo e o Palácio do Planalto.

Entre os participantes do encontro, estão a imunologista Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra, o virologista Paolo Zanoto e outros médicos de diversas especialidades. Confinados em uma sala de reuniões do Planalto, nenhum dos profissionais usa máscara.

As imagens também apontam Osmar Terra como o cacique intelectual do grupo. “Uma honra trabalhar com o senhor neste período”, disse Nise Yamaguchi ao deputado. Na CPI da Pandemia, a médica negou a existência de um gabinete paralelo e afirmou que prestava apenas “aconselhamento”.

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