CPI: após bate-boca, advogada critica “descompostura” de senador

Marcos Rogério ironizou depoimento da advogada e disse que a oitiva dela ocorre por uma "questão trabalhista"

atualizado 28/09/2021 14:49

Bruna Morato_CPIRoque de Sá/Agência Senado

A advogada Bruna Morato, que representa ex-médicos da Prevent Senior, criticou, nesta terça-feira (28/9), o que considerou “descompostura” e “deselegância” do senador governista Marcos Rogério (DEM-RO), que criticou o depoimento dela à CPI da Covid-19.

Segundo o parlamentar, quem deveria prestar depoimento eram os médicos e não a advogada. “Agora temos a figura da testemunha por procuração”, ironizou o governista, acrescentando se tratar de uma “questão trabalhista” sendo levada à comissão. A declaração dele gerou bate-boca entre senadores e visível incômodo na advogada.

“Se o senhor desconhece as prerrogativas, sinto muito. Essa descompostura, essa deselegância que o senhor e outras pessoas têm na tentativa de desqualificar a denúncia só mostra que vocês não têm quaisquer condições técnicas para tentar contestar os fatos, que são concretos”, rebateu Bruna Morato.

O senador governista disse que não iria se vitimizar e retrucou a declaração. “Vossa excelência [presidente da CPI, Omar Aziz] ouviu a advogada, que veio com procuração para ser testemunha no lugar de alguém. Parece que veio aqui na função de corregedora. Não estou desqualificando a advogada, não faria isso.”

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Os profissionais de saúde representados por Bruna Morato elaboraram um dossiê entregue à comissão com denúncias de uso indiscriminado, nos hospitais da empresa, de medicamentos – como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina – sem comprovação de eficácia para o tratamento da Covid-19.

empresa, conforme revelou o Metrópoles, adotou o protocolo de administrar esses fármacos e passou dados para acompanhamento do governo federal. O padrão de uso foi desenvolvido com a ajuda de ao menos um membro do “gabinete paralelo”, que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia.

Além disso, a operadora de saúde é acusada de ter coagido médicos para que aplicassem as drogas em pacientes sem o conhecimento deles ou dos familiares e até do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A empresa também é suspeita de ter ocultado, em estudo sobre a cloroquina, o número de mortes de pessoas em tratamento contra a Covid-19.

Outra acusação que pesa sobre a empresa é a de alterar atestados de óbitos para ocultar morte de pacientes em decorrência da Covid-19, com orientação para que os médicos mudassem os prontuários.

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