Apoio a Bolsonaro gera polêmica entre atletas, clubes e seguidores

Manifestação do palmeirense Felipe Melo e de torcedores do Atlético-MG, com gritos homofóbicos, podem render punição na justiça desportiva

atualizado 18/09/2018 12:14

Manifestações políticas em partidas do Campeonato Brasileiro e entre jogadores da seleção masculina de vôlei levaram clubes e entidades a se posicionassem sobre o tema. Declarações de apoio ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) também causaram polêmica entre seguidores e fãs de esportistas.

Foi o caso do Palmeiras, que emitiu nota oficial na segunda-feira (17/9) depois de o volante Felipe Melo ter dedicado ao candidato, durante entrevista, o gol marcado no empate por 1 x 1 contra o Bahia.

Confira a nota publicada pelo Palmeiras

“O posicionamento político do atleta Felipe Melo reflete, única e exclusivamente, uma manifestação particular, e não da instituição”, afirma a nota. O clube fez questão de destacar a sua neutralidade. “O Palmeiras respeita qualquer posição política de seus atletas, empregados e colaboradores e ratifica a sua neutralidade nas questões políticas, partidárias, de crenças, religiões e quaisquer outras formas de manifestações pessoais”

Em outras oportunidades, Felipe Melo já tinha demonstrado apoio ao militar da reserva. Depois que o deputado foi esfaqueado em ato de campanha em Juiz de Fora (MG), por exemplo, o jogador publicou mensagem nas redes sociais em apoio ao candidato.

Já o Atlético-MG corre risco de ser punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por causa do comportamento da sua torcida no jogo com o Cruzeiro, no domingo (16), em Belo Horizonte. Torcedores provocaram os rivais gritando: “Cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”.

A Procuradoria do STJD, responsável por julgar casos do esporte, entende que o clube deve ser responsabilizado pelo ato e anunciou que o clube deve ser denunciado por descumprimento do Estatuto do Torcedor. “No atual momento do Brasil precisamos reprimir esse tipo de atitude. A Fifa está brigando contra essa conduta dos torcedores. Os fatos serão analisadas e muito provavelmente será deflagrado uma denúncia, mas temos de analisar com cautela para fazermos uma denúncia técnica e alcançarmos o caráter pedagógico”, disse o procurador-geral Felipe Bevilacqua.

Ainda no domingo (16), após o cântico homofóbico ganhar repercussão nas redes sociais, o clube criticou a postura dos torcedores. “O CAM (Clube Atlético Mineiro) lamenta profundamente as manifestações homofóbicas de parte dos torcedores, no jogo deste domingo, no Mineirão. Reiteramos nosso repúdio a quaisquer gestos de preconceito ou de incitação à violência. A maior torcida de Minas é composta por pessoas de todas as classes sociais, raças e gêneros, não cabendo qualquer tipo de discriminação.”

Veja esportistas que declaram apoio a Jair Bolsonaro 

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Vôlei
Além do futebol, a polêmica em torno de apoio ao presidenciável do PSL atingiu outro esporte. Suposta manifestação de dois jogadores da seleção masculina, após vitória sobre a França, na sexta-feira (14), durante o Mundial, fez com que a Confederação Brasileira de Vôlei proibisse expressões políticas na equipe. Só estão liberadas manifestações nas contas particulares dos atletas nas redes sociais.

Durante comemoração da vitória, os jogadores Wallace e Maurício Souza posaram para fotos e formaram o número do presidenciável com as mãos. Souza fez um sinal de 1 e Wallace fez o 7. O número de Bolsonaro é 17.

“A CBV repudia qualquer tipo de manifestação discriminatória, seja em qualquer esfera, e também não compactua com manifestação política. Porém, a entidade acredita na liberdade de expressão e, por isso, não se permite controlar as redes sociais pessoais dos atletas, componentes das comissões técnicas e funcionários da casa”, diz a nota.

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