Alcolumbre sobre Bolsonaro: “País precisa de liderança séria”

Presidente do Senado, infectado pelo novo coronavírus, criticou pronunciamento do presidente, que pediu fim do "confinamento em massa"

Andre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 24/03/2020 21:53

A Mesa Diretora do Senado repudiou, nesta terça-feira (24/03), o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito da pandemia do novo coronavírus. “Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da população”, diz nota assinada pelo presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), que está afastado justamente por ter sido infectado, e por Antonio Anastasia (PSD-MG), vice-presidente, que o substitui no cargo.

Para Alcolumbre e Anastasia, o posicionamento de Bolsonaro, que atacou medidas de contenção da Covid-19, doença causada pelo coronavírus, é “grave” e vai na “contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS)”.

“Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais”, escreveram eles.

Para os senadores, Bolsonaro não correspondeu às expectativas da população sobre o papel de liderança do chefe do Executivo em uma situação como essa. “A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise.”

No pronunciamento, em rede nacional, Bolsonaro pediu o fim do “confinamento em massa” e disse que a crise “logo passará”. Ele criticou o fechamento de escolas — para ele,  fato de a maioria das mortes serem de idosos justificaria o fim da medida de isolamento –, voltou a chamar a doença de “gripezinha” e atacou imprensa, governadores, a rede Globo e até o médico Drauzio Varella, por causa de um vídeo de janeiro deste ano, com informações desatualizadas sobre o coronavírus.

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