Porta-voz rebate crítica de Ramos sobre prioridades de Bolsonaro
Presidente da comissão especial que discute a reforma da Previdência fez comentário negativo sobre projeto que visa mudar regras do Código de Trânsito Brasileiro

O porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio do Rêgo Barros, rebateu, na noite desta terça-feira (04/06/2019), as críticas negativas recebidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre as prioridades do governo. O presidente da comissão que analisa a reforma da Previdência neste momento na Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que Bolsonaro “não sabe o que é melhor para o país”.
“Me parece não adequado, quem é que lhe possa ter feito, esse comentário em relação ao nosso presidente”, declarou o porta-voz. “Tem [prioridades] e tem demonstrado isso diuturnamente por meio das ações diretas dele com a interlocução do Congresso, por meio das proposições apresentadas”, completou.
Bolsonaro entregou pessoalmente, na manhã desta terça-feira (04/06/2019), um projeto de lei (PL) com alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A proposta chegou como PL depois de uma avaliação feita pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O gesto seria uma forma de aproximação com o Congresso.
Marcelo Ramos, no entanto, disse que o presidente não tem “noção de prioridade”, visto que o ato simbólico aconteceu no momento em que parlamentares discutiam a reforma da Previdência.
“Depois reclamam quando digo que o presidente Bolsonaro não tem noção de prioridade e do que é importante para o país”, disparou o parlamentar no Twitter. “Enquanto estamos em um seminário sobre reforma da Previdência, ele está vindo para Câmara apresentar PL que versa sobre aumentar pontos na carteira de maus motoristas”, declarou Ramos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMudanças na CNH
Bolsonaro havia comentado sobre a vontade de alterar a lei em diferentes oportunidades, desde o início de seu mandato. Nessa segunda-feira (03/06/2019), o porta-voz adiantou a proposta de aumentar a validade do documento de cinco para 10 anos, com exceção dos idosos, e permitir o dobro de pontos em decorrência de infrações, passando de 20 para 40 pontos.
Além disso, a proposta apresentada pelo presidente tira do Departamento de Trânsito (Detran) a atribuição exclusiva de atestar a aptidão dos motoristas. “Qualquer médico pode fazer isso daí”, garantiu.
“É um projeto que mexe com todo mundo. Quem não dirige, é dirigido. Quem não conduz, é conduzido”, disse o presidente, no momento da entrega do texto a Maia. Segundo Bolsonaro, a proposta foi pensada de acordo com as necessidades econômicas do Brasil e visa o bem-estar dos profissionais que trabalham com o transporte.
De acordo com o presidente, o projeto tem como objetivo facilitar a vida do trabalhador. “A quem tem reclamado, eu falo: ‘Procure um taxista, um motorista de ônibus, um motorista de caminhão, quem vive no trânsito’”, comentou. Na ocasião, ele afirmou que para esses profissionais, a CNH é uma “carteira de trabalho”.
O texto exige a luz de rodagem diurna apenas para os carros que ainda serão fabricados. Os veículos só serão obrigados a usar o recurso em rodovias de faixa simples. Outra exigência pedida pelo presidente é a presença de cadeirinha para o transporte de crianças. A regra, no entanto, veio junto com uma punição mais amena para quem transportar menores de 10 anos irregularmente.
