Policiais querem mesma Previdência que militares: “Vidas em risco”

Categoria realizará manifestação, com agentes da segurança pública de todo o país, contestando pontos nas novas regras de aposentadoria

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 21/05/2019 9:29

Associações de policiais realizam nesta terça-feira (21/05/2019), em frente ao Congresso Nacional, uma manifestação contra as mudanças nas regras de aposentadoria para as categorias. O ato, de âmbito nacional, terá início às 13h. O protesto é programado na semana em que a Câmara dos Deputados retoma as discussões da reforma da Previdência para policiais, professores e magistrados.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Distrito Federal (Sindepo), Claudia Alcântara, os policiais querem mostrar a insatisfação com pontos alterados na reforma da categoria e na forma como estão sendo tratados.

“Estamos na nossa luta diária, colocando em risco as nossas vidas. Queremos a mesma forma de tratamento que os militares recebem”, disse. E continuou: “Somos seres humanos doando nossa força de trabalho para defender a população brasileira”.

Entre as medidas alteradas no novo texto apresentado pela equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e que não agradaram aos representantes dos policiais e agentes de segurança pública estão: a exclusão da seguridade de benefício para o risco de vida, o aumento nas alíquotas previdenciárias e a diminuição das pensões para cônjuges de policiais.

Diferença injusta
“Vamos supor que estamos em uma fronteira com um militar. Se acontece alguma coisa, a esposa dele recebe 100% do benefício. Já no nosso caso, é diferente. A reforma da Previdência prevê 46% da pensão para policiais”, lamentou Claudia, que disse achar injusta a diferença entre as classes.

A entidade também não é a favor do tempo de contribuição estabelecido pelas novas regras. O texto estipula que a categoria se aposente a partir dos 55 anos. No entanto, segundo a diretora do Sindepo, vai acontecer um envelhecimento dos servidores, que vão preferir continuar trabalhando. “Aumenta e não prevê nenhum tipo de transição”, declarou.

Para Claudia Alcântara, outro ponto que deve ser revisto é a diferença de gênero no tempo de contribuição. De acordo com a diretora da entidade, atualmente existe uma aposentadoria diferenciada para as mulheres, mas o governo decidiu equiparar homens e mulheres no novo texto.

Desinteresse
A dirigente do sindicato informou que reuniões já foram feitas entre o Executivo e entidades para tratar do descontentamento com pontos da reforma. Contudo, houve desinteresse por parte do governo. “Temos visto que não tem interesse algum em nos atender”, pontuou Claudia.

“Falta ao governo ter consciência da nossa importância. Eu saio do meu trabalho e encontro criminosos na rua. Essa manifestação é uma luta por nós. É uma guerra diária contra a criminalidade”, disse.

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