PF prende em Roraima empresário acusado de escravizar venezuelanos

Homem obrigava imigrantes a cumprir jornadas de 12 horas, sem folga semanal e com pagamentos entre R$ 5 e R$ 10 por dia

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atualizado 18/09/2019 17:11

A Polícia Federal prendeu em Boa Vista, capital de Roraima, um empresário acusado de submeter imigrantes venezuelanos a trabalhos análogos à escravidão, sem dias de folga, com jornadas de 12 horas e pagamentos entre R$ 5 e R$ 10 por dia, ou até nada. O preso, cuja identidade não foi divulgada, também é suspeito de aliciar mulheres vindas do país vizinho, que vive uma dramática crise humanitária, para serem exploradas sexualmente em outros estados brasileiros. Oito trabalhadores foram resgatados (imagem em destaque) em Pacaraima, também no estado de Roraima, mas as investigações indicam que o suspeito pode ter explorado pelo menos 40 imigrantes.

A operação foi realizada na última terça-feira (17/09/2019) e o empresário está preso na capital roraimense.

Vítimas que conseguiram fugir dos canteiros de obras onde os imigrantes eram mantidos denunciaram o esquema, ainda de acordo com informações da PF. Segundo o relato dos imigrantes, o empresário aliciava quem atravessava a fronteira em busca de oportunidades no Brasil – são cerca de 600 pessoas por dia vindas da Venezuela. Ainda segundo os depoimentos, os salários – quando pagos – variavam entre R$ 10 para adultos e R$ 5 para adolescentes por dia de trabalho. Em muitos casos, mulheres trabalhavam sem ser pagas.

O alojamento em barracos precários, a comida (insuficiente, segundo a PF), água sem tratamento e a eletricidade também eram cobrados dos imigrantes pelo empresário. “Ele se aproveitava da vulnerabilidade dos venezuelanos que chegavam ao Brasil por Pacaraima e oferecia trabalhos em condições que caracterizaram essa condição análoga ao de escravo”, disse o delegado Victor Negraes, da Delegacia Federal Regional de Combate ao Crime Organizado.

Além de trabalharem na construção civil, algumas vítimas eram aliciadas para irem para estados como São Paulo e Mato Grosso, em um esquema de tráfico humano com fins de exploração sexual. Sobre essa acusação não há detalhes.

“Contratos”
Na residência do empresário, onde foi feita a prisão, a PF apreendeu espécies de contratos que o homem obrigava os imigrantes a assinar (imagem abaixo). O texto impõe “multas” por danos em ferramentas, proíbe ausências do local de trabalho por mais de 40 minutos e prevê o desconto por alimentos fornecidos.

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Em Pacaraima, Boa Vista e outros municípios de Roraima há cerca de 7 mil refugiados venezuelanos, segundo estimativas do governo do Estado. Eles vivem em abrigos fornecidos pelo governo e por entidades de apoio ou mesmo nas ruas. A situação socioeconômica precária torna essas pessoas vulneráveis a vários tipos de exploração.

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