As tropas aliadas ao governo de Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, avançaram contra a população, que protesta na capital do país, Caracas, após convocação do autointitulado presidente interino do país, Juan Guaidó. Ainda não há informações sobre feridos ou mortos.

Guaidó, inicialmente, convocou uma “manifestação pacífica“, que, após a chegada dos veículos militares do atual regime, se transformou em confronto. Guaidó convocou a população e as forças nacionais a “lutar contra a usurpação”, referindo-se ao governo de Nicolás Maduro.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a multidão reunida na base aérea conhecida como La Carlota, na capital do país. Militares que apoiam Guaidó enfrentam membros da Guarda Nacional Bolivariana, aliados a Maduro.

Integrantes de ambos os lados atiram bombas de gás lacrimogêneo. Também é possível ver homens armados e muitas pessoas correndo, atrás de proteção. Outros manifestantes atiram pedras contra o muro da base aérea, depredando o local.

Em discurso inflamado na praça Altamira, em Caracas, Juan Guaidó apontou que as manifestações desta terça-feira são o início de uma operação para a liberdade. “As Forças Armadas estão com o povo e não com o governo usurpador. Hoje, sabemos que o povo [da Venezuela] está a favor da Constituição”, disse.

Ele voltou a convocar os militares, principalmente aqueles que ainda apoiam o presidente Nicolás Maduro, e refutou a ideia de que tenta dar um golpe de estado. “Golpe é quem usa metais pesados para atacar a população. Os militares devem proteger o povo”, afirmou.

O pronunciamento de Guaidó e o confronto entre militares e populares foi gravado pelo canal de notícias latino Nuestra Tele Noticias 24 (NTN24) e divulgado nas redes sociais. De acordo com o veículo, também foram registrados disparos de fuzis no local. Confira.

Guarda Nacional reprime manifestantes
A Guarda Nacional venezuelana, aliada a Nicolás Maduro, reprimiu com uso de força nas ruas da capital do país os movimentos de opositores civis e militares que tentam derrubar o regime chavista, fazendo uso de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Apesar de o autointitulado presidente interino Juan Guaidó afirmar que as Forças Armadas estão ao seu lado para derrubar Maduro, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, disse que os militares se “mantêm firmes” na defesa da Constituição e de “suas autoridades legítimas”, acusando os opositores de fomentar o “terror” em vias públicas.

O líder da oposição venezuelana Leopoldo López conseguiu sair nesta terça (30/04/2019) da prisão domiciliar com a ajuda de militares que deixaram de apoiar o regime chavista, evidenciando uma divisão nas Forças Armadas do país. López chegou a divulgar uma foto em seu Twitter junto a Guaidó e pediu à população que tomasse as ruas de maneira pacífica. “Fazemos esse chamado a todos para que se somem a esse processo, um processo de unificação das Forças Armadas com o povo”, disse. (Com Agência Estado)