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Política

Para mídia internacional, fala de Bolsonaro foi curta e superficial

O discurso do presidente repercutiu tanto em jornais do exterior quanto nas redes sociais, em comentários dos jornalistas presentes

Fernanda Stumpf23/01/2019 13:30
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Divulgação/Fórum Econômico Mundial
Para mídia internacional, fala de Bolsonaro foi curta e superficial

O discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, foi proferido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e teve ampla repercussão na imprensa internacional. Para boa parte dos jornais e jornalistas presentes, a fala foi considerada curta e superficial.

Seu discurso durou menos de 10 minutos e foi seguido por uma sessão de perguntas e respostas com o fundador do evento, Klaus Schwab. No total, a participação brasileira totalizou aproximadamente 15 minutos.

O jornalista Thiago Ferrer Morini, do espanhol El País, escreveu no Twitter que o presidente brasileiro “disse oito minutos de absolutamente nada”, e acrescentou comentário sobre a crise que envolve o filho de Bolsonaro, Flávio. Acompanhando a postagem, o jornalista publicou uma matéria que fala da Operação Os Intocáveis, sobre as milícias do Rio de Janeiro.

O El País fez uma reportagem sobre a fala do presidente, que foi definido como “decepcionante”. Segundo o jornal, o economista que ganhou o prêmio Nobel da Economia Robert Shiller, que dá aulas na Universidade Yale, declarou que o presidente brasileiro “dá medo”.

O jornal britânico The Guardian também citou o caso Flávio Bolsonaro. Segundo o veículo, o filho ofuscou a participação do pai no evento.

Escrevendo para o Le Monde e o New York Times, a jornalista Sylvie Kauffmann também usou a rede social para deixar a sua impressão sobre o discurso do presidente brasileiro. Para ela, ele foi “incapaz de responder concretamente às questões de Klaus Schwab”. O fundador do Fórum questionou Bolsonaro sobre reformas, meio ambiente e América Latina.

Heather Long, correspondente do Washington Post, considerou o discurso curto. “Ele tinha o mundo inteiro assistindo e sua melhor fala foi dizer para as pessoas passarem férias no Brasil”, declarou ela via Twitter.

No Brasil, a fala de Bolsonaro repercutiu no mercado, que registrou aumento das taxas de juros. Ainda essa semana, a Arábia Saudita descredenciou 33 frigoríficos brasileiros a exportar carne de frango para o país. Segundo o ex-secretário-geral da Liga Árabe (organização que reúne 22 países árabes), Amr Moussa, a ação foi uma resposta à proposta de Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.