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O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chamou, nesta terça-feira (4/12), de “bênção” a abertura de uma investigação, autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar denúncias de pagamentos de caixa 2 da JBS a ele, nas campanhas de 2012 e 2014.

“Para mim é uma bênção, porque vai permitir que tudo se esclareça”, disse Onyx, após deixar uma reunião com a bancada do PSDB na Câmara. “Não tenho nenhum problema com isso. Ao contrário, é a chance de resolver”, ressaltou.

Mais tarde, após se encontrar com deputados do PSD e também pedir apoio ao governo de Jair Bolsonaro, Onyx disse ter “preocupação zero” com as apurações. “Já resolvi minha questão espiritual. Entre carregar mancha e ter uma cicatriz, fico com a cicatriz. Sempre fui um combatente contra a corrupção e vou continuar sendo”, emendou ele.

Fachin atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou a abertura de uma petição autônoma específica para analisar as acusações de que Onyx teria recebido R$ 100 mil em 2012 e R$ 200 mil em 2014, oriundos de caixa 2.

Nesta terça, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, defendeu o colega. “Onyx tem a minha confiança pessoal. Sei do grande esforço que ele fez para aprovar as dez medidas contra a corrupção”, disse Moro.

Delação premiada
Em 2016, Onyx foi relator do projeto que tratava das dez medidas de combate à corrupção. Deputado do DEM, ele produziu um parecer que vetava qualquer tipo de anistia ao caixa 2. Em maio do ano passado, no entanto, executivos da JBS o citaram em delação premiada.

Onyx chegou a admitir ter recebido R$ 100 mil em caixa 2, para quitar despesas da campanha de 2014, e pediu desculpas aos eleitores do Rio Grande do Sul. “Vou, diante das autoridades, pagar pelo erro que cometi”, afirmou ele, na ocasião. Onyx sempre negou ter recebido recursos ilegais na campanha de 2012.