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O ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, disse na tarde desta segunda-feira (3/12) durante coletiva de imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, que a base de apoio do futuro governo federal na Câmara dos Deputados pode chegar a 350 parlamentares. Segundo o ministro, a base no Senado terá mais de 40 políticos, e incluiu o PSDB nas estimativas.

“Se a gente somar todos que têm sinalizado que poderão estar conosco, podemos chegar a 320, 330 e até 350 deputados”, disse Onyx a jornalistas.O deputado reeleito voltou a declarar que no governo Bolsonaro não haverá toma lá dá cá e que os parlamentares serão atendidos através de suas bancadas, frentes e estados. “Somos capazes de entender se parlamentar não puder votar a favor de determinada matéria”, completou.

Também foi comentado como a Casa Civil coordenará a articulação política do novo governo. Segundo Onyx, que coordenará a área na gestão Bolsonaro, a Secretaria de Governo, que hoje faz esse meio de campo com os parlamentares, ficará responsável por assuntos federativos e pela interlocução com estados e municípios.

Dessa forma, o ministro concentrará uma das principais funções dentro do Palácio do Planalto, esvaziando a tentativa de enfraquecer a pasta que comandará a partir de 1º de janeiro de 2019. Ele ressaltou que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), já “bateu o martelo” sobre o desenho que foi apresentado.

Onyx detalhou que a Casa Civil terá uma secretaria específica para cuidar da articulação com a Câmara e outra para fazer a negociação com o Senado Federal. “Teremos um time de ex-deputados e ex-senadores para cuidar de Câmara e Senado. Não haverá toma lá dá cá”, reiterou.

Mourão
O ministro extraordinário negou que o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), ficará com a coordenação dos ministérios do novo governo, como chegou a ser estudado. Caso isso ocorresse, a função de Onyx no comando da Casa Civil ficaria esvaziada, já que a pasta possui essa atribuição.

“O vice-presidente tem uma missão constitucional. Mas o Mourão vai ajudar em muitas áreas”, respondeu Onyx ao ser indagado sobre a possibilidade. Segundo ele, Mourão tem de ficar “plenamente disponível para substituir o presidente” eleito em caso de necessidade.

Logo no início do mandato, em janeiro de 2019, Mourão assumirá a Presidência após cirurgia de Bolsonaro para retirada da bolsa de colostomia. A cirurgia foi adiada para o próximo ano após exames médicos do presidente eleito feito em novembro indicarem uma inflamação. Mourão também assume a função em caso de viagens oficiais.

Inicialmente, a ideia de colocar Mourão para coordenar os ministérios serviria para liberar Onyx para a articulação política com o Congresso. A estrutura também daria mais poderes ao general Mourão e poderia facilitar o diálogo.

Na avaliação de aliados, como o governo será comandado por um militar reformado do Exército, colocar Mourão à frente da coordenação da Esplanada seria uma forma de dar ao vice-presidente eleito ascendência sobre os demais titulares do primeiro escalão para cobrar resultados.