“Não quero pregação anticomunista”, diz Nagib, do Escola Sem Partido

Fundador de movimento político contra a atuação de professores ligados à esquerda diverge de Olavo de Carvalho em relação à pregação direitista

Tauã Medeiros/MetrópolesTauã Medeiros/Metrópoles

atualizado 06/06/2019 17:10

Fundador do movimento Escola Sem Partido (ESP), o procurador do Estado de São Paulo Miguel Nagib define-se como católico, liberal e conservador. Na atuação política, combate o que chama de “doutrinação” de alunos por professores no ensino fundamental e médio da rede pública.

Nagib conversou nesta semana com o Metrópoles e explicou seu conceito sobre o assunto: “Doutrinação é o abuso da liberdade de ensinar pelo professor em prejuízo dos direitos do estudante”, define. “Não há escola que pode dizer que esteja livre da doutrinação”, acrescenta.

O procurador lista princípios legais que, na opinião dele, seriam infringidos pelos docentes: “Impessoalidade”, “pluralismo de ideias”, “laicidade do Estado” e “liberdade de consciência e de crença”.

Veja a entrevista:

Leitor e fã do escritor Olavo de Carvalho, Nagib ressente-se de declarações recentes do guru do presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Inacreditavelmente ele está contra o Escola Sem Partido. Chamou a gente de burro, nos ofendeu, foi bastante chato, inclusive”, afirmou.

Segundo o procurador, a divergência se deve ao fato de que Olavo defende uma ação política direta contra a esquerda. “Ele acha que tem de haver uma pregação anticomunista dentro das universidades e das escolas. Eu não quero isso de jeito nenhum, não quero substituir uma opressão comunista por uma opressão anticomunista”, acrescentou.

Nesta quinta-feira (06/06/2019), Nagib participa do seminário “Diga não à Doutrinação” na Câmara dos Deputados. Na entrevista ao Metrópoles, ele falou também sobre o pedagogo Paulo Freire e sobre o governo Bolsonaro. Em particular, comentou as escolhas do presidente para o Ministério da Educação.

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