Professores do Distrito Federal discutiram, em assembleia nesta quinta-feira (14/3), a pauta de reivindicações da categoria que será apresentada ao GDF nos próximos dias. Entre elas, o reajuste de 37%, o mesmo percentual que deve ser oferecido aos policiais civis. No encontro, além de aprovar o calendário de mobilização permanente, os docentes se colocaram contrários à gestão compartilhada com militares nas escolas.

A assembleia, com paralisação em muitos colégios públicos, começou às 9h30, no estacionamento do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. O Sindicato dos Professores (Sinpro) calcula que 5 mil pessoas estiveram presentes. A Polícia Militar fala em 1 mil.

Além do reajuste, os professores querem cobrar o pagamento da terceira parcela do aumento do funcionalismo, que deveria ter saído em 2015; o cumprimento das 21 metas do Plano Distrital de Educação (PDE); a regularidade nos repasses do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf); e a construção/reforma de escolas e creches públicas.

Também estão entre os pedidos da categoria: reajuste do auxílio-alimentação; plano de saúde; pagamento da pecúnias, entre outros. “Com essa assembleia, damos início à nossa mobilização para discutir com o governo a nossa pauta aprovada no ano passado. Já temos uma conquista, que foi a criação do grupo de trabalho nessa quarta [13]”, disse Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

Sobre possível paralisação, ela diz que o sindicato avalia que, neste momento, é hora de organizar o calendário de mobilização. “Uma greve depende muito mais da posição do governo, se vai realmente levar a sério o processo de negociação com a categoria ou não”, ressaltou.

De Portugal, onde tenta buscar investimentos para o Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse que tem recebido os professores com todo o respeito. Ressaltou que sabe das dificuldades dos servidores e lembrou ter prometido, durante a campanha, valorizar o funcionalismo, a começar pelas áreas de educação, segurança e saúde.

“Abri mesa de negociação com as três categorias. A reivindicação (dos professores) pode ou não ser justa, mas vou tratar a cidade com responsabilidade. Não vou quebrar o orçamento como os governos anteriores”, destacou.

Conforme o Metrópoles antecipou, após o Carnaval, os servidores estão intensificando a cobrança por reajuste. Policiais militares, civis, bombeiros e 32 categorias terão agendas com representantes do Palácio do Buriti para obter respostas sobre as promessas de campanha feitas por Ibaneis Rocha (MDB).

Os professores tiveram encontro nessa quarta com o chefe da Casa Civil, Eumar Novacki, no Palácio do Buriti. Na terça (12), foi a vez de PMs e bombeiros apresentaram suas propostas de reajuste.

No começo da assembleia, os docentes pediram um minuto de silêncio em respeito às vítimas do massacre ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), nessa quarta-feira (13). “Sim para o porte de livros e não para a posse de armas”, gritaram os presentes. Eles também fizeram homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes, assassinados há um ano no Rio de Janeiro.

No âmbito nacional, os professores se colocam contrários à reforma da Previdência. Até a última atualização desta reportagem, a Secretaria de Educação não havia divulgado o balanço da paralisação nas escolas nesta quinta (14).

A pasta informou, em nota no começo da semana, que os professores que marcassem presença na assembleia teriam a falta registrada e deveriam repor as aulas, “a critério da chefia imediata”.