Representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros saíram de reunião nesta terça-feira (12/3) sem acordo em relação ao reajuste salarial das categorias. Foram colocadas três propostas na mesa de negociação. Uma delas, apresentada pelas corporações, de aumento de 37,5% escalonado em seis vezes, terá um impacto de R$ 1.010.691.053,03 ao final de 2021.

Do total, R$ 687.019.194,76 seriam pagos aos policiais e R$ 323.671.858,27 aos bombeiros. Porém, nenhuma das propostas foi aceita de pronto pela equipe econômica do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A ausência do chefe do Executivo no encontro incomodou os integrantes das corporações, mas a sinalização de consenso foi avaliada como positiva.

Após a reunião, o secretário de Fazenda e Planejamento, André Clemente, disse ao Metrópoles que o governador tem total interesse em conceder o reajuste, “mas não abre mão do equilíbrio das contas públicas”.

“Aliado a isso, temos ainda de manter uma boa interlocução com o governo federal, que dará a canetada final quando o Buriti apresentar uma proposta oficial de aumento. Estamos debruçados nos cálculos em busca da melhor alternativa”, destacou o gestor, que participou da reunião. Segundo o secretário, o Palácio do Buriti buscará uma solução a partir de duas sugestões apresentadas pelos militares e uma pelos comandos das duas forças.

Entre as propostas levadas pelos comandos das corporações, o pagamento do reajuste parcelado em seis vezes foi a que teve mais aceitação entre os militares. De acordo com o texto, a primeira parte do reajuste seria em abril de 2019, de 5%. Depois, em setembro, mais 5%. Em abril de 2020, 6,5%. No setembro seguinte, 6,5%. Em abril de 2021, seria aplicado mais 7% e, por fim, em setembro de 2021, 7,5%, totalizando os 37,5% reivindicados.

Além disso, a sugestão dos comandos incorpora o auxílio-moradia no soldo e metade do auxílio-alimentação. Isso daria um incremento de R$ 400, em média.

Os PMs e bombeiros reivindicam o mesmo reajuste oferecido pelo governo aos policiais civis. Em fevereiro deste ano, agentes e delegados receberam a proposta de paridade com a Polícia Federal, ou seja, aumento de 37%. O projeto já foi encaminhado para o governo federal e ainda terá de passar pelo Congresso Nacional.

A gente está estendendo que o governo tem uma preocupação em atender o pleito. Está construindo um caminho"
Coronel Wellington Corsino, presidente da Associação dos Militares Estaduais do Brasil

O coordenador do Fórum das Associações Representativas dos Policiais Militares e dos Bombeiros Militares do DF, Mauro Manuel Brambilla, fez uma ponderação: “Nós começamos a conversar. Agora tem outras coisas. O tempo para um policial civil atingir o topo da carreira é menor do que o nosso. Isso tem que ser visto”.

JP Rodrigues/Metrópoles

Reunião no Palácio do Buriti foi a segunda realizada neste ano para tratar do tema

Houve quem saísse insatisfeito. “Nós estávamos esperando uma proposta do governo. Os secretários tiveram dois meses para trabalhar. E o que ouvimos hoje? O começo de uma nova negociação. Foi muito frustrante”, reclamou o tenente-coronel Eduardo Naime, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal (Asof).

A ausência do chefe do Executivo no encontro também gerou críticas das tropas, nas redes sociais e nas ruas. O Palácio do Buriti informou que Ibaneis delegou a negociação técnica aos secretários. Contudo, determinou máxima transparência e a construção de uma solução em sintonia com o governo federal.

Propostas
Na reunião, os militares apresentaram duas propostas para o Buriti. A primeira é a incorporação do auxílio-moradia e parte do auxílio-alimentação aos soldos, seguida pela aplicação dos reajustes em seis parcelas, a começar por abril deste ano, até setembro de 2021.

A segunda manteria o auxílio-moradia independente. Nessa linha, seria extinta a discriminação dos valores pagos a militares com e sem dependentes. A partir daí, seria aplicado o reajuste em seis parcelas, nos mesmos moldes da primeira proposta.

Os comandos da PM e do Corpo de Bombeiros apresentaram uma terceira proposta. Ela segue o mesmo modelo de incorporação de benefícios e reajuste parcelado em seis vezes. Contudo, na avaliação de Corsino e Bambrilla, a sugestão dos comandantes apresenta essas ideias com mais embasamento. Por isso, em princípio, eles pretendem apoiá-la.