Representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros saíram de reunião nesta terça-feira (12/3) sem acordo em relação ao reajuste salarial das categorias. Foram colocadas três propostas na mesa de negociação. Porém, nenhuma delas foi aceita de pronto pela equipe econômica do governador Ibaneis Rocha (MDB). A ausência do chefe do Executivo no encontro incomodou os integrantes das corporações, mas a sinalização de consenso foi avaliada como positiva.

Após a reunião, o secretário de Fazenda e Planejamento, André Clemente, disse ao Metrópoles que o governador tem total interesse em conceder o reajuste, “mas não abre mão do equilíbrio das contas públicas”. “Aliado a isso, temos ainda de manter uma boa interlocução com o governo federal, que dará a canetada final quando o Buriti apresentar uma proposta oficial de aumento. Estamos debruçados nos cálculos em busca da melhor alternativa”, destacou o gestor, que participou da reunião.

Segundo o secretário, o Palácio do Buriti buscará uma solução a partir de duas sugestões apresentadas pelos militares e uma pelos comandos das duas forças.

Entre as propostas levadas pelos comandos das corporações, o pagamento do reajuste parcelado em seis vezes foi a que teve mais aceitação entre os militares. De acordo com o texto, a primeira parte do reajuste seria em abril de 2019, de 5%. Depois, em setembro, mais 5%. Em abril de 2020, 6,5%. No setembro seguinte, 6,5%. Em abril de 2021, seria aplicado mais 7% e, por fim, em setembro de 2021, 7,5%, totalizando os 37,5% reivindicados.

Nesse caso, o auxílio-moradia seria incorporado ao salário, e o governo iria isentar os militares de pagar o valor proporcional do Imposto de Renda sobre o benefício, ponto sobre o qual não há consenso.

Os PMs e Bombeiros reivindicam o mesmo reajuste oferecido pelo governo aos policiais civis. Em fevereiro deste ano, agentes e delegados receberam a proposta de paridade com a Polícia Federal, ou seja, aumento de 37%. O projeto já foi encaminhado para o governo federal e ainda terá de passar pelo Congresso Nacional.

“A gente está estendendo que o governo tem uma preocupação em atender o pleito. Está construindo um caminho”, afirmou o presidente da Associação dos Militares Estaduais do Brasil, o coronel Wellington Corsino.

O coordenador do Fórum das Associações Representativas dos Policiais Militares e dos Bombeiros Militares do DF, Mauro Manuel Brambilla, fez uma ponderação:  “Nós começamos a conversar. Agora têm outras coisas. O tempo para um policial civil atingir o topo da carreira é menor do que o nosso. Isso tem que ser visto”.

Houve quem saísse insatisfeito. “Nós estávamos esperando uma proposta do governo. Os secretários tiveram dois meses para trabalhar. E o que ouvimos hoje? O começo de uma nova negociação. Foi muito frustrante”, reclamou o tenente-coronel Eduardo Naime, presidente da Associação dos Oficiais da PMDF (Asof).

Sobre a ausência do governador na reunião, o Palácio do Buriti argumentou que Ibaneis delegou a negociação técnica aos secretários. Contudo, determinou máxima transparência e a construção de uma solução em sintonia com o governo federal.

Propostas
Na reunião os militares apresentaram duas propostas para o Buriti. A primeira é a incorporação do auxílio-moradia e parte do auxílio-alimentação aos soldos, seguida pela aplicação dos reajustes em seis parcelas, a começar por abril deste ano, até setembro de 2021.

A segunda manteria o auxílio-moradia independente. Nessa linha, seria extinta a discriminação dos valores pagos a militares com e sem dependentes. A partir daí, seria aplicado o reajuste em seis parcelas, nos mesmos moldes da primeira proposta.

Os comandos da PM e do Corpo de Bombeiros apresentaram uma terceira proposta.  Ela segue o mesmo modelo de incorporação de benefícios e reajuste parcelado em seis vezes. Contudo, na avaliação de Corsino e Bambrila, a sugestão dos comandantes apresenta essas ideias com mais embasamento. Por isso, a princípio, eles pretendem apoia-lá.