Mourão sobre 80 tiros: “Se tivessem precisão, não sobraria ninguém”

Planalto ainda não emitiu qualquer nota de pesar pela morte de Evaldo Rosa, que dirigia o carro fuzilado por militares no domingo (7)

Valter Campanato/Agência BrasilValter Campanato/Agência Brasil

atualizado 12/04/2019 10:40

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) se referiu ao fuzilamento do músico Evaldo Rosa, morto no último domingo (7) após militares atirarem 80 vezes contra o veículo, de “série de disparos” e os considerou “disparo péssimos”. “Se tivessem precisão, não teria sobrado ninguém no veículo”, disse Mourão, ao ser questionado sobre o caso em entrevista à rádio CBN. Ele afirmou ainda que “sob pressão e forte emoção ocorrem erros dessa natureza”.

Evaldo estava em um carro com a família a caminho de um chá de bebê, na região de Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. Após os disparos, o músico morreu na hora e o sogro dele ficou ferido. Os outros três ocupantes do veículo, a esposa do músico e o filho do casal de 7 anos, não se feriram.

Até o momento, o Palácio do Planalto afirmou apenas que “confia na Justiça Militar” para a apuração do caso. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) não se pronunciou pela redes sociais. Mourão também afirmou que não tem a “mínima dúvida de que, uma vez comprovada a culpa”, os responsáveis serão punidos pela Justiça Militar.

Na quarta-feira (10), o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), apontou que os autores dos tiros não poderiam ser beneficiados com a redução da pena pela metade ou até com a exclusão total da punição prevista no projeto anticrime porque não agiram por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

Pouco antes, ao comentar sobre o núcleo militar no governo, o vice-presidente garantiu que estão “acostumados a sofrer pressão” por serem treinados para a guerra. Ele também considera que essa situação faz parte da política e já sabia que seria alvo de críticas: “No jogo político, você sabe que estará sujeito a chuvas e trovoadas”. Por fim, Mourão disse que agora pode “ser vaiado ou aplaudido”, o que não acontecia durante a carreira militar. “Paciência”, finalizou ele.