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Mikael Tavares Medeiros, um jovem de 19 anos, é coordenador-geral de Recursos Logísticos do Ministério do Trabalho. O cargo exige que ele autorize pagamentos, os quais giram em torno de R$ 473 milhões por ano, a fornecedores da pasta. A função exige conhecimento técnico e experiência, mas, antes de ingressar no órgão federal, o rapaz era vendedor de óculos em uma loja. A informação é do jornal O Globo, que sustenta: Mikael foi indicado pelo pai, o delegado da Polícia Civil de Goiás Cristiomario de Sousa Medeiros, presidente do PTB de uma cidade próxima à capital federal.

A trajetória do estudante, que entrou na faculdade recentemente, na pasta começou em outubro de 2017, quando foi nomeado coordenador de documentação e informação pelo então ministro Ronaldo Nogueira, do PTB. Seu salário inicial era de R$ 5,1 mil bruto por mês.

A nomeação dele para o cargo de gestor financeiro do ministério foi assinada pelo então secretário-executivo da pasta, Helton Yomura – hoje, ministro interino do Trabalho. De acordo com a reportagem, o jovem tornou-se apadrinhado do presidente nacional do PTB, o ex-deputado federal e condenado no Mensalão Roberto Jefferson, desde que a nomeação da deputada federal carioca Cristiane Brasil, filha de Jefferson, foi interrompida.

No entanto, a indicação de Mikael para o cargo teria tido participação de seu pai, o delegado Cristiomario de Sousa Medeiros, aliado do deputado federal Jovair Arantes (GO), atual líder da sigla na Câmara. Ainda de acordo com o O Globo, a mãe do rapaz é diarista e beneficiária do Bolsa Família.

“Alguma amizade”
O pai do garoto negou ao jornal ter sido o responsável pela indicação ao cargo que o filho ocupa hoje. Mas afirmou que não teria problema em fazê-lo e confirmou ter apresentado Mikael aos líderes do partido. “Não sei qual cargo ele ocupa lá. Sei que ele esteve passando por gabinetes e participou de reuniões comigo no PTB. Eu inseri ele no partido. Sugeri a ele sair procurando. Talvez tenha conseguido alguma amizade”, destacou.

Segundo Cristiomario de Sousa Medeiros, o filho não é filiado à legenda. Entretanto, segundo registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mikael está filiado ao Partido da Mulher Brasileira (PMB) desde março de 2016.

“Não me perguntaram em momento algum sobre o cargo. Nem eu liguei para ninguém para que a nomeação ocorresse. Ponho meu filho para trabalhar desde os 16 anos de idade. Aqui na cidade ele era vendedor de óculos numa loja”, disse o delegado Medeiros.

 

 

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