Dilma afirma que vai processar Bolsonaro por declaração nos EUA

Bolsonaro afirmou que "quem até há pouco ocupava o governo teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada"

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atualizado 17/05/2019 18:08

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) disse, nessa quinta-feira (16/05/2019), que vai processar cível e criminalmente o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O motivo é uma declaração dele na entrega do prêmio personalidade do ano pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Dallas, nos Estados Unidos, de que “quem até há pouco ocupava o governo teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada”. Em nota, a petista rebateu o presidente: “Declaração mentirosa e caluniosa sobre minha história política”. São informações de O Globo.

“Quem até há pouco ocupava o governo tinha suas mãos manchadas de sangue da luta armada, matando inclusive um capitão, como eu. Eu rendo homenagem aqui ao capitão Charles Chandler, um herói americano. Talvez um pouco esquecido na história, mas que escreveu sua história passando pelo Brasil”, discursou Bolsonaro, nos EUA, sem citar nomes.

No discurso, o presidente se referia ao capitão do Exército americano Charles Rodney Chandler, assassinado por grupos de esquerda que participavam da luta armada durante a ditadura militar, em outubro de 1968.

Entre 1967 e 1972, Dilma militou em duas organizações de luta armada contra a ditadura, em São Paulo, no Rio e Rio Grande do Sul.

Para fugir da perseguição da polícia e do Exército, ela usou documentos falsos, transportou armas e dinheiro roubado, foi presa, torturada e ficou quase três anos na cadeia. Não há registros, no entanto, de que Dilma tenha participado diretamente de ações armadas.

Nota da petista
A ex-presidente diz na nota desta quinta-feira que não participou “de atos armados ou ações que tivessem ou pudessem levar à morte de quem quer que seja”.

“Durante a resistência à ditadura, e muito menos no período democrático, jamais participei de atos armados ou ações que tivessem ou pudessem levar à morte de quem quer que seja. A própria Justiça Militar, as auditorias, o STM e até o STF, em todos os processos que foram movidos contra mim, comprovaram tal fato. Os autos respectivos documentam isso”, afirmou a petista, na nota.

“Ao contrário dos heróis e homenageados pelo senhor Bolsonaro, que, durante a ditadura e depois dela, tiveram suas mãos manchadas do nosso sangue, militantes brasileiros e brasileiras, pelas torturas e assassinatos cometidos contra nós”, diz.

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