Briga e troca de insultos marcam ida de Salles à Câmara dos Deputados

Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente foi chamado de "office boy" do modelo de desenvolvimento que "quer destruir" recursos naturais

Rafael Carvalho/Governo de transiçãoRafael Carvalho/Governo de transição

atualizado 07/08/2019 15:38

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a oposição ao governo e a bancada ruralista bateram boca, nesta quarta-feira (07/08/2019), no plenário da Câmara dos Deputados, durante audiência da Comissão de Integração Regional e Desenvolvimento Regional da Amazônia. Com a confusão, a sessão foi encerrada e o chefe da pasta deixou o Congresso Nacional escoltado por seguranças.

Os oposicionistas criticaram o ministro pela troca na direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela proximidade com o setor agropecuário, considerado um dos principais motivos do desmatamento na Amazônia. Na ocasião, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) chamou Salles de “office boy” do modelo de desenvolvimento que supostamente “quer destruir” os recursos naturais do país. Ainda, ele o comparou a um bandeirante que explorava o interior do Brasil durante período colonial.

“O senhor é o ‘office boy’ desse modelo de desenvolvimento que quer destruir os recursos naturais e comprometer a vida no futuro. O senhor só não se parece fisicamente com Borba Gato, Fernão Dias e Domingos Jorge Velho, mas a ação que o senhor faz é do novo bandeirantismo que vai lá cooptar, matar, que  vai cooptar uma liderança indígena em detrimento da organização daquele povo. E se não cooptar, faz como se faz e como sempre se fez: mata”, acusou o deputado.

Em meio às ofensas, o deputado chegou a citar o nome do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT-SP). O ministro se defendeu dizendo que não é “office boy” de ninguém: “Eu não sou office boy de coisa nenhuma. Quem deve saber muito bem de matar gente em razão de coisas é o pessoal que está envolvido lá no assunto Celso Daniel. Não admito que o senhor me trate desse jeito”.

O ex-prefeito de Santo André foi morto há 17 anos, e o caso permanece sem solução. Celso Daniel foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002, após sair de um restaurante em São Paulo acompanhado do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Seu corpo foi achado dois dias depois, com 11 tiros.

Enquanto prestava depoimento, Salles foi aplaudido pelos ruralistas e vaiado pelos oposicionistas. A fala do ministro foi interrompida devido ao barulho da sessão. De um lado, a oposição xingava o ministro de “fujão”. Do outro, a base do governo defendia o chefe da pasta: “Tua mãe, tua mãe”, respondeu, aos gritos, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira (MDB-RS).

Ainda nesta quarta-feira (07/08/2019), Salles deve participar de outra audiência no Congresso Nacional, desta vez no Senado Federal.

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