Novo diretor do Inpe sobre aquecimento global: “Não é a minha praia”

Darcton Policarpo Damião também disse que todos os informes e dados sobre desmatamento da Amazônia serão encaminhados ao Palácio do Planalto

Miguel Ângelo/CNIMiguel Ângelo/CNI

atualizado 06/08/2019 16:58

O novo diretor interino do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Darcton Policarpo Damião, disse nesta terça-feira (06/08/2019) que desconfia da real existência do aquecimento global e questiona se, caso exista, seja realmente causado pelo homem. Um dia após o anúncio de que iria assumir o instituto, Damião concedeu entrevista ao Globo e confessou que o assunto “não é a sua praia”.

O diretor comparou seus conhecimentos ao futebol, outro assunto do qual diz não entender. Aos jornalistas, ele ressaltou que sua opinião é “vazia e sem valor”. “Seria o mesmo que emitir uma opinião sobre futebol no Brasil. Adoro futebol, mas não sou bom de bola, nunca joguei e dizer que é melhor ou pior com o Neymar, para mim, vai cair no vazio. Minha opinião não terá valor. Estudo o assunto, mas [aquecimento global] não é a minha praia”, afirmou.

Damião também destacou que todos os informes e dados sobre desmatamento da Amazônia serão encaminhados ao Palácio do Planalto e aos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, em primeira mão. Ele afirmou que os números só serão divulgados em “situações alarmantes”.

Como exemplo, o diretor interino citou um caso hipotético de uma cidade com problemas fluviais. E comentou que, ao invés de procurar um jornal para falar sobre o conflito, a prefeitura do local deve ser acionada primeiramente.

“Eu não estou dizendo que o jornal não deva dar a notícia. Pelo contrário. Ele deve dar a notícia. Mas a administração da cidade tem que cuidar daquilo que implica além da água e a responsabilidade seria do prefeito. Isso não muda o fato de que os dados estão ali”, completou.

Exoneração de Ricardo Galvão
Este foi o motivo principal  da exoneração de Ricardo Galvão, pesquisador do Inpe desde 1970, que se demitiu da direção do Inpe após divulgar aumento de 88% de áreas desmatadas na Amazônia, identificadas pelo sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) reclamou, duvidou dos dados e criticou duramente Galvão, acusando-o de estar a serviço de ONGs. Segundo o chefe do Executivo federal, não se pode deixar que alguns “maus brasileiros” divulguem “dados mentirosos” sobre a Amazônia, que é uma riqueza do país. “Por isso alguns maus brasileiros ousam em fazer campanha com números mentirosos com a Amazônia”, assinalou Bolsonaro.

“Não podemos admitir sensacionalismo ou divulgação de números imprecisos, que trazem enormes prejuízos à imagem do Brasil”, disse o presidente pelas redes sociais.

Além de doutor em desenvolvimento sustentável pela UnB, Damião é mestre em sensoriamento remoto pelo próprio Inpe. Em sua tese de doutorado, o novo presidente pesquisou sobre o desmatamento na Amazônia. É graduado em Ciências Aeronáuticas pela Academia da Força Aérea e possui MBA concedido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

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