Bolsonaro terá encontro com Moro para falar sobre mensagens vazadas

Planalto não se pronunciará sobre o conteúdo até que a conversa aconteça. Moro trocava informações com Deltan Dallagnol sobre a Lava Jato

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 10/06/2019 21:10

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) terá um encontro com o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, para falar sobre o vazamento de mensagens do ex-juiz com procuradores da Operação Lava Jato. O Planalto não se pronunciará até que a conversa aconteça, segundo informou o porta-voz do governo, Otávio do Rêgo Barros, nesta segunda-feira (10/06/2019).

Conversas do ministro divulgadas nesse domingo (09/06/2019) revelam uma suposta interferência nas investigações da operação. As mensagens trocadas entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba (PR), foram reveladas pelo site The Intercept Brasil.

Bolsonaro e Moro já fizeram contato depois da exposição dos fatos. No entanto, o ministro cumpriu agenda oficial em Manaus (AM) nesta segunda, o que impediu uma reunião presencial. “A partir de amanhã [11/06/2019], colocar-se-á à disposição para compartir com o ministro Sergio Moro os fatos referentes a esse vazamento”, afirmou Rêgo Barros.

Embora tenha evitado dar pistas sobre a opinião do presidente da República sobre o tema, o porta-voz foi categórico ao responder se há possibilidade de renúncia de Moro. “Jamais foi tocado este assunto”, declarou.

A repercussão do caso já teve efeitos no Congresso. Nesta tarde, a oposição se posicionou: se Moro não for investigado, haverá obstrução no andamento de projetos do governo na Câmara. A reforma da Previdência, que é o carro-chefe da área econômica, pode ficar atrasada se os parlamentares mantiverem essa postura.

O cenário político será considerado na conversa entre Bolsonaro e Moro, de acordo com o porta-voz. “A importância é o presidente conhecer, do próprio ministro Sergio Moro, a sua percepção. E, a partir dessa conversa, traçar estratégias para avançar no que nós queremos para o país, em particular na economia”, comentou.

Outros militares que integram governo, por sua vez, já saíram em defesa do colega. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo Silva, demonstraram confiança em Sergio Moro.

Troca de mensagens
A publicação do Intercept apresentou mensagens privadas, gravações em áudio, fotos, vídeos e documentos judiciais que foram compartilhados entre o agora ministro da Justiça e o procurador Deltan Dallagnol, que estava à frente da força-tarefa da Lava Jato.

Procurado, Moro criticou a reportagem e lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo”.

O ministro minimizou a denúncia e disse ainda que as mensagens trocadas não apresentam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. Alegou, inclusive, que trechos foram retirados de contexto.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se pronunciou pelo afastamento do ministro Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol. O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu uma investigação contra o procurador.

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