Bolsonaro ataca pai de Bachelet e defende golpe militar no Chile

Alta comissionária da ONU disse mais cedo estar preocupada com o espaço democrático brasileiro

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atualizado 04/09/2019 11:46

Após receber críticas da alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) respondeu a ex-presidente chilena com ataques ao pai dela, Alberto Bachelet, morto sob o regime de Pinochet.

“Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”, afirmou o presidente nas redes sociais nesta quarta-feira (04/09/2019).

O chefe do Executivo afirmou que a ex-presidente do Chile “investe contra o Brasil” na agenda de direitos humanos, se intrometendo na “soberania brasileira”, assim como o mandatário francês, Emmanuel Macron.

“Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu Bolsonaro nesta quarta-feira (04/09/2019).

Mais cedo, Bachelet mostrou preocupação ao afirmar que o espaço democrático no Brasil está encolhendo. A alta comissária destacou o aumento da violência policial e disse que a apologia à ditadura reforça a sensação de impunidade e que os defensores de direitos humanos estão sob ameaça.

A chilena ainda fez referências aos incêndios na Amazônia e apontou para a “dura” realidade que vivem os povos indígenas. “O que temos dito ao governo [brasileiro] é de que ele precisa proteger os defensores de direitos humanos e ambientalistas. Mas, também, que olhem as medidas que possam estar gerando a violência”, disse, em entrevista coletiva a qual o UOL participou.

A mensagem de Bolsonaro veio acompanhada de uma imagem de Bachelet ao lado das ex-presidentes do Brasil, Dilma Rousseff (PT), e da Argentina, Cristina Kirchner. Bolsonaro criticou ambas as gestões.

Médica de formação, Michelle Bachelet foi ministra da saúde e defesa do Chile antes de se tornar presidente, em 2006. Na década de 1970, por ser filha de um general da Força Aérea chilena, foi presa e passou vários anos no exílio com a mãe, regressando apenas em 1979. O pai morreu sob custódia militar.

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