Policiais chutam jornalistas, confiscam celulares e algemam repórter

Em cobertura sobre furto de gado, profissionais do jornal "Em Questão", de Alegrete (RS), foram agredidos por membros da Brigada Militar

atualizado 24/06/2020 10:13

Integrantes da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (a PM local) agrediram dois jornalistas com chutes depois de um dos repórteres ter sido proibido de fotografar um caminhão do Exército. O episódio ocorreu na última quinta-feira (18/06). As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Alex Stanrlei, de 47 anos, é repórter do jornal Em Questão, que circula na região de Alegrete, a 440 km de Porto Alegre. Ele estava em frente à delegacia da cidade, onde uma ocorrência de um caso de furto de animais em uma propriedade do Exército seria registrada.

Durante a cobertura, o repórter foi impedido de fotografar e teve o celular apreendido. Alex chegou a levar chutes e foi algemado pelos policiais da Brigada Militar.

Stanrlei foi mantido no chão em frente à delegacia. Após alguns minutos, ele conseguiu chamar o diretor do jornal, Paulo de Tarso Pereira, de 60 anos, que o acompanhava na cobertura.

Pereira questionou aos agentes o motivo de o repórter estar detido. Segundo os policiais, Alex estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida, além de não estar portando documentação.

De acordo com o relato de Pereira, os policiais ainda zombaram de sua idade e pediram para que ele provasse que era proprietário do jornal. “O senhor é um velho. Não poderia estar na rua. Estamos em uma pandemia”, teriam dito os agentes a Pereira.

Ao insistir em questionar os policiais, Pereira e Stanrlei foram agredidos fisicamente.

“Um me atacou e me deu uma gravata, começou a me asfixiar. O Alex se levantou para me defender e foi agredido também, começaram a chutar. Foi algemado, pegaram o celular dele. Fiquei com lesões no pescoço, fiquei no chão e achei que ia morrer”, relatou o diretor ao jornal Folha de S.Paulo.

Pereira foi liberado na madrugada de sexta (19/06), após a ocorrência sobre furtos de animais ter sido registrada.

Os policiais chegaram a registrar uma ocorrência contra os dois profissionais de imprensa, alegando que foram insultados e que houve desacato.

Antes de deixar a delegacia, Pereira também registrou um boletim de ocorrência sobre a agressão sofrida por ele e por seu colega de profissão.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul disse que foi instaurado um inquérito para apurar o caso. e reforçou “o compromisso em proteger a vida, a sociedade, o Estado de Direito e a democracia, não admitindo ações individuais fora dos regulamentos e ditames legais”.

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