Moro sobre dinheiro nas nádegas: “Não existe negócio de corrupção acabou”

Ex-ministro citou caso do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que era vice-líder do governo, para rebater Bolsonaro sobre fim da corrupção

atualizado 15/10/2020 13:10

Ex-ministro Sergio MoroRafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro usou o episódio envolvendo o senador e então vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro nas nádegas durante operação policial, para ironizar, nesta quinta-feira (15/10), declarações do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o ex-juiz, “não existe negócio de acabou a corrupção” no Brasil. As declarações foram dadas à Rádio Gaúcha.

A fala de Moro ocorre cerca de uma semana após o presidente Jair Bolsonaro ter declarado que “acabou com a Lava Jato” porque “não tem mais corrupção no governo”.

“O que o episódio (com Chico Rodrigues) nos traz de lição é que não existe o negócio de ‘corrupção acabou’. Você tem que ter instituições de controle e que, identificado o fato, promovam a responsabilização das pessoas que praticam este crime”, disse Moro.

O ex-juiz federal também criticou a derrubada de mecanismos que, segundo ele, auxiliavam a Lava Jato, como a prisão após condenação em segunda instância.

“Nos últimos anos, tivemos grande crescimento (no combate à corrupção) com a Lava Jato, muitas pessoas foram responsabilizadas. Mas hoje em dia está todo mundo solto, e alguns mecanismo que foram feitos para as pessoas serem pegas foram eliminados”, lamentou.

Pacote anticrime

Ainda segundo Moro, o pacote anticrime, sancionado no fim do ano passado, sofreu modificações no Congresso “que dão brechas a criminosos”, como no caso de André do Rap, traficante que foi solto após uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Tudo bem que faz parte do jogo democrático, mas inseriram algumas coisas que eu falei: isso vai se cobrar o preço no futuro. (…) O bandido (André do Rap) foi solto com base numa norma, numa brecha. Acho que (a decisão do ministro Marco Aurélio) não tinha intenção de favorecer, mas foi um erro. Agora, temos que olhar para frente e deixar o sistema não menos eficiente”, ponderou.

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