PMs acusados de matar jovem com câncer passam a responder por lesão

Juiz desclassificou homicídio para outro crime com pena mais branda por dizer que vítima deixou abordagem andando, em Goiânia

atualizado

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Chris Wallace, de 24 anos, morreu após abordagem de PMs em Goiânia, Goiás
1 de 1 Chris Wallace, de 24 anos, morreu após abordagem de PMs em Goiânia, Goiás - Foto: Reprodução

GoiâniaDois policiais militares acusados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) de matar o jovem que tinha câncer, em decorrência de abordagem em Goiânia, passaram a responder na Justiça por lesão corporal seguida de morte, e não mais por homicídio. Familiares de Chris Wallace da Silva, de 24 anos, disseram que vão recorrer contra a decisão que beneficiou os PMs.

A decisão é do juiz Eduardo Pio Mascarenhas e foi publicada na última sexta-feira (19/8). O magistrado entendeu que os PMs Bruno Rafael da Silva e Wilson Luiz Pereira de Brito Júnior não tiveram a intenção de matar Chris Wallace.

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Chris chegou em casa vomitando sangue e com crise convulsiva, segundo a mãe
Barbeiro Chris Wallace da Silva morreu após  sofrer agressão violenta em rua do bairro Fidélis, em Goiânia
Chris Wallace da Silva, de 24 anos, morreu após seis dias internado por causa de espancamento
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Chris Wallace da Silva, de 24 anos, morreu após seis dias internado por causa de espancamento

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Chris chegou em casa vomitando sangue e com crise convulsiva, segundo a mãe

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Barbeiro Chris Wallace da Silva morreu após  sofrer agressão violenta em rua do bairro Fidélis, em Goiânia
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Barbeiro Chris Wallace da Silva morreu após sofrer agressão violenta em rua do bairro Fidélis, em Goiânia

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Com a desclassificação do homicídio simples, que tem pena de 6 a 20 anos de prisão, os militares agora respondem a processo na Justiça por lesão corporal seguida de morte, que tem pena mais branda, de 4 a 12 anos.

“Chama atenção o fato de a vítima Chris Wallace da Silva e Marcos José Martins Vidal terem deixado a abordagem policial andando, não havendo indicação de comprometimento neurológico da vítima nesse momento”, afirmou o juiz, na decisão.

Em seguida, o magistrado continuou: “Entendo que, se houve intenção homicida, os réus desistiram de prosseguir nesse intento, tanto que teriam oportunidade de prosseguir na execução de eventual homicídio, contudo não o fizeram”.

A defesa da família do jovem informou que vai recorrer da decisão no Tribunal de Justiça.

Abordagem policial

Chris Wallace foi abordado e espancado com socos, chutes e pancadas de cassetete pelos policiais, em 10 de novembro do ano passado. A perícia atestou que ele teve traumatismo na cabeça por espancamento, contusões no abdômen e nos pulmões.

Os PMs ficaram presos em presídio militar por cinco meses, entre 10 de dezembro de 2021 e 11 de maio deste ano. O Ministério Público pediu a prisão preventiva no momento que fez a denúncia por homicídio, para que eles não ameaçassem testemunhas do processo, que optaram por falar em sigilo.

Chris Wallace da Silva tinha saído de casa para ir a uma distribuidora de bebidas comprar refrigerante, no Residencial Fidélis. Na rua de casa, ele foi abordado e agredido pelos PMs, segundo a investigação.

Por causa da gravidade dos ferimentos, o jovem precisou ser internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI), mas não resistiu e morreu seis dias depois.

Câncer nos ossos

Segundo a família, ele lutava contra um câncer nos ossos, chamado mieloma múltiplo, há cerca de 10 anos. O boletim de ocorrência conta que o rapaz teria dito aos PMs que tinha câncer e pediu para não ser agredido por causa da saúde fragilizada. Contudo, conforme o inquérito, a agressão continuou.

A mãe contou ainda que o filho chegou em casa e correu para o banheiro, onde teve crises convulsivas e vomitou sangue. Uma ambulância foi chamada pela família e levou o rapaz ao hospital.

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