PM é sócia de empresa que empregava seguranças acusados de matar João Beto

Simone Aparecida Tognini pediu licença por "interesses particulares" da corporação e está afastada desde 25 de julho

atualizado 20/11/2020 21:50

cliente agredido e morto por seguranças do supermercado CarrefourReprodução/Redes Sociais

A empresa responsável pela segurança da rede de supermercados Carrefour, a Vector Segurança Patrimonial Ltda., tem a policial militar Simone Aparecida Tognini como sócia. A terceirizada emprega os funcionários flagrados espancando João Alberto, de 40 anos, até a morte na noite dessa quinta-feira (20/11). A revelação foi feita pelo jornalista Leandro Demori, do The Intercept Brasil.

Apesar de estar lotada no quadro de policiais militares e ter situação regular na corporação, Simone está afastada do 5º Batalhão da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O último afastamento da policial ocorreu em 25 de julho deste ano e tem duração de 365 dias. A licença, publicada no Diário Oficial de São Paulo, seria por “interesses particulares”.

Não há vedações que impossibilitem um servidor público de ter participação societária em empresas do setor privado, desde que integre o quadro societário na qualidade de sócio capitalista ou cotista.

No entanto, o vínculo de uma agente de segurança do estado com uma empresa privada de vigilância levanta dúvidas éticas, uma vez que empresas de segurança privadas acabam lucrando com ineficiência de forças de segurança no combate ao crime.

Funcionário é PM temporário

Um dos funcionários da empresa terceirizada que participou do homicídio é um policial militar temporário. Giovane Gaspar da Silva nem mesmo teve treinamento policial. Ele já foi afastado da corporação. O afastamento foi confirmado pelo coronel Rodrigo Mohr Picon, comandante-geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

Giovane Gaspar da Silva é lotado no Departamento de Comando e Controle Integrado da Secretaria de Segurança Pública. Ele também trabalhava na empresa de segurança que atende a unidade do Carrefour no bairro Passo D’Areia, onde o crime ocorreu. De acordo com o coronel da Brigada, PMs temporários não têm autorização para trabalhar em outras empresas.

“O próprio crime já nos habilita a tomar as medidas necessárias de exclusão desse PM temporário. Ele pode ser demitido a qualquer momento por meio de um processo administrativo. O processo é bastante sumário, hoje nós já devemos fazer a modificação. Ele teria três dias úteis para fazer sua defesa, então, até a semana que vem, ele deve ser removido”, informou o coronel Picon.

Segundo Picon, os policiais militares temporários atuam apenas em funções internas, substituindo profissionais da reserva em atividades administrativas, de guarda e videomonitoramento. Portanto não têm treinamento policial.

“O PM temporário não pode nem andar fardado na rua, porque não tem treinamento de policial, trabalha apenas em atividades internas”, explicou o coronel.

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