PL da Dosimetria: partidos com ministérios no governo Lula deram 122 votos

Republicanos, MDB e PSD entregaram dezenas de votos pela aprovação do PL da Dosimetria, que vai reduzir o tempo de Bolsonaro na prisão

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1 de 1 imagem colorida reuniao ministerial lula palacio do planalto - Metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Cerca de 42% dos votos pela aprovação do PL da Dosimetria, que passou pelo plenário da Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira (10/12), foram dados por partidos com ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto-base foi aprovado com 291 votos a favor e 148 votos contra.

Mesmo com o líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE), orientando pelo voto contrário ao projeto, partidos com ministérios deram 122 votos a favor da proposta, de acordo com levantamento realizado pelo Metrópoles a partir do registro legislativo.

O Republicanos, do ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), deu 32 votos favoráveis ao projeto e apenas dois contrários. O partido, que é o mesmo do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já costuma entregar votos contrários ao governo.

O MDB, dos ministros Jader Barbalho Filho (Cidades), Simone Tebet (Planejamento) e Renan Filho (Transportes), deu 25 votos favoráveis ao projeto, e apenas cinco contrários.

O PSD, dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia), André de Paula (Pesca e Aquicultura), deu 24 votos favoráveis ao projeto, e 12 contrários.

O PDT e o PSB deram apenas um voto favorável cada, os partidos entregaram 13 e 12 votos contrários, respectivamente.

Todos os deputados do PT, PV, Rede, PSol e PCdoB que estavam na Câmara votaram contra o PL da Dosimetria —totalizando 92 votos.

O PP, que tem por André Fufuca da pasta dos Esportes, votou 39 vezes pela aprovação do projeto.

Além desses, o União Brasil, que rompeu recentemente com o governo Lula, deu 47 votos favoráveis ao PL da Dosimetria.

Texto-base aprovado na Câmara

O texto-base do PL da Dosimetria foi aprovado na Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira (10/12). Agora, o projeto será analisado pelo Senado Federal. O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (UniãoBrasil-AP), afirmou em plenário, nessa terça-feira, que pretende analisar o texto ainda em 2025.

A aprovação do Projeto de Lei 2162/23, o chamado PL da Dosimetria, é uma meia vitória para a oposição bolsonarista, que orientou voto a favor da proposta, mas que até então tentava articular uma anistia “ampla e irrestrita” para Bolsonaro e os demais condenados.

Com a falta de apoio ao tema, a oposição recuou e passou a aceitar debater um projeto que apenas reduz as penalidades aplicadas contra os condenados. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado como candidato do pai à disputa das eleições presidenciais de 2026, chegou a colocar a própria candidatura como moeda de troca para o texto ser aprovado.

Em setembro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, por liderar a trama golpista. O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde 22 de novembro.Com a aprovação do projeto de lei, a expectativa é que o ex-presidente fique preso por menos tempo.

Entenda o texto

O PL da Dosimetria, que teve o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator, altera as regras de progressão de regime, mecanismo que permite ao condenado com bom comportamento passar para os regimes semiaberto ou aberto.

A nova legislação prevê que a progressão ocorra após o cumprimento de um sexto da pena, e não mais de um quarto. A mudança não se aplica a casos como crimes hediondos ou réus reincidentes.

O substitutivo propõe ainda acabar com a soma de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, como a tentativa de golpe de Estado e a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, o que beneficiaria Bolsonaro diretamente.

Paulinho determinou também que, quando esses crimes forem cometidos em “contexto de multidão”, ou seja, durante um ato coletivo, como os ataques de 8 de Janeiro, a pena pode ser reduzida de um terço a dois terços. Essa redução só vale se a pessoa não tiver financiado o ato nem exercido papel de liderança — e não alcançaria Bolsonaro, apontado pelo STF como líder da tentativa de golpe de Estado.

Como Bolsonaro pode ser beneficiado?

Segundo o relator, além de reduzir o tempo necessário para a progressão de regime, o projeto também pode diminuir a pena do ex-presidente.

A Vara de Execução Penal estimou neste mês que a progressão de Bolsonaro para o semiaberto ocorreria em 23 de abril de 2033, após cerca de oito anos de detenção. Paulinho calcula que esse prazo poderia cair para pouco mais de 3 anos.

Em entrevista ao Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, o advogado Celso Vilardi, que atua na defesa de Bolsonaro, avalia em análise preliminar que a progressão só ocorreria daqui a quatro anos.

 

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Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)
A decisão destravou a análise do tema na Câmara. A CCJ é o primeiro passo da discussão.
Hugo Motta
Plenário da Câmara vota PL da Dosimetria
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Plenário da Câmara vota PL da Dosimetria

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A decisão destravou a análise do tema na Câmara. A CCJ é o primeiro passo da discussão.

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Hugo Motta
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Votação ocorre após dia de confronto na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), abriu a sessão desta terça-feira (9/12) mesmo após a confusão que se formou com a retirada à força do deputado Glauber Braga (PSol-RJ) da Mesa Diretora.

Glauber anunciou que ocuparia a Mesa da Presidência da Câmara após Motta anunciar para quarta-feira (10/12) a votação da cassação do mandato dele. A Polícia Legislativa foi acionada e retirou o deputado do plenário arrastado.

Enquanto Glauber estava na cadeira, as transmissões oficiais da Câmara foram tiradas do ar e servidores e jornalistas foram impedidos de entrar no plenário.

O deputado psolista é alvo de um processo de cassação por retirar um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) aos chutes da Câmara em 2024. Glauber acusa o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) de ser o principal articulador por trás do pedido de cassação. Glauber atribui essa articulação às críticas recorrentes que ele fez a Lira, especialmente sobre a execução das emendas parlamentares.

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