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Brasil

PGR apura possível interferência em relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro

Procurador-geral, Paulo Gonet comunicou decisão a Edson Fachin, presidente do STF, após pedido de esclarecimentos sobre o caso

04/09/2026 22:03, atualizado 04/09/2026 22:33
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O PGR Paulo Gonet

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração, nesta sexta-feira (4/9), sobre a conduta da Polícia Federal (PF) na produção do relatório que apontou relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero.

Na decisão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pede que a PF esclareça as circunstâncias em torno da confecção do relatório e “possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”.

A decisão foi comunicada por Paulo Gonet ao presidente do STF, Edson Fachin. O relatório da PF foi feito a pedido do ministro André Mendonça, do STF, e além de Moraes, cita Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A apuração será conduzida por meio de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, instrumento usado pelo Ministério Público para fiscalizar a atuação das forças de segurança. Gonet ainda afirma que a PGR “aguarda a decisão do plenário da Corte sobre a autorização para a investigação” que apure se houve crime cometido por algum ministro.

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Entre os pontos que deverão ser esclarecidos está a possibilidade de o relatório da PF ter sofrido algum tipo de ordem ou interferência externa durante sua elaboração. A PGR pretende verificar se houve circunstância capaz de comprometer o conteúdo do material.

A medida ocorre após Fachin pedir esclarecimentos sobre a produção do relatório, elaborado durante a relatoria do ministro André Mendonça.

Segundo a PGR, o Ministério Público não foi comunicado sobre a decisão que determinou a produção do material. A procuradoria também afirmou que não teve oportunidade de se manifestar no procedimento, o que, na avaliação do órgão, impediu o exercício do controle externo da atividade policial.

A apuração deverá avaliar as circunstâncias relacionadas à elaboração do relatório e, posteriormente, o resultado será comunicado ao Supremo.

Fachin deu 5 dias para Gonet, Mendonça, Moraes e Andrei

Na quinta-feira (3/9), o presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento para esclarecer se há nulidade nas ações do ministro André Mendonça ao pedir que a Polícia Federal intensificasse apurações sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes.

Fachin deu cinco dias para que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o PGR, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso.

Com a manifestação de Gonet, os demais citados por Fachin têm até a próxima quinta-feira (10/9) para se manifestarem.

Do que Fachin pede explicações:

  • Se a PF investigou pessoas com foro de prerrogativa de maneira irregular.
  • Eventuais indícios de que credenciais de acesso institucional tenham sido usadas para avaliar documento estritamente particular e de que informações sujeitas ao sigilo judicial foram reveladas a pessoa investigada.
  • As circunstâncias em que se deu o despacho do ministro André Mendonça, que determinou a apresentação da identificação de pessoas com prerrogativa de foro.
  • Medidas, no exercício do controle externo da atividade policial, que foram tomadas para zelar pela observância estrita à Loman.
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