PEC que impossibilita aborto volta à pauta da Câmara semana que vem
Comissão Especial ainda precisa analisar destaques. Depois, proposta será votada em dois turnos nos plenários da Casa e do Senado

Ficou para a próxima semana a reunião da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que vai analisar os destaques à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 181/2015, que amplia a licença maternidade para as mães de bebês prematuros. De autoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do deputado Dr. Jorge Silva (PHS-ES), o texto recebeu uma emenda polêmica, que, na prática, pode levar à proibição de todas as formas de aborto no país, incluindo as hipóteses atualmente previstas em lei.
A PEC havia sido apresentada originalmente para se discutir a ampliação da licença maternidade em caso de bebês prematuros de 120 para 240 dias. No entanto, sob a influência da chamada “bancada da Bíblia”, que reúne parlamentares evangélicos e católicos das alas mais conservadoras das duas denominações religiosas, o relator da proposta, deputado Jorge Tadeu Mudalem (DEM-SP), alterou o texto para incluir também as mudanças relacionadas à interrupção da gravidez.
Por 18 votos a favor e um contrário, o colegiado aprovou na quarta-feira (8/11) a versão alterada da PEC. A proposta vencedora muda o texto constitucional para que o princípio da dignidade da pessoa humana e a garantia de inviolabilidade do direito à vida passem a ser respeitados desde a concepção e não, como é hoje, após o nascimento.

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A mudança no teor da PEC nº 181/2015 foi uma resposta para a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal que, em 2016, havia decidido não considerar crime a prática do aborto durante o primeiro trimestre de gestação, independentemente da motivação da mulher. A Corte também está às voltas com o debate sobre a descriminalização do aborto no Brasil.
O presidente da comissão especial, deputado Evandro Gussi (PV-SP), negou que o texto aprovado nesta quarta coloque em risco as garantias hoje existentes. Atualmente, o aborto não é punido nos casos em que a gravidez é resultante de estupro ou quando represente ameaça à vida da gestante.
“Hoje, essas duas formas não são punidas e assim vai permanecer. O maior impacto do texto é impedir que o aborto seja descriminalizado [no país]”, disse Gussi. “[A proposta como aprovada] Impede a discussão da interrupção da gravidez e traz, no mínimo, insegurança jurídica para os casos já permitidos no Código Penal”, afirmou a deputada Erika Kokay (PT-DF), única parlamentar que votou contra a mudança na comissão especial.
(Com informações das agências Estado e Câmara)



