PCGO indicia João de Deus por violência sexual. Pena chega a 6 anos

O inquérito foi baseado no depoimento de uma mulher que teria sido abusada pelo líder espiritual em outubro deste ano durante atendimento

atualizado 20/12/2018 18:09

Michael Melo/Metrópoles

Enviadas especiais a Goiânia (GO) – A Polícia Civil de Goiás (PCGO) indiciou nesta quinta-feira (20/12) o médium João de Deus por violência sexual mediante fraude. O inquérito foi baseado no depoimento de uma mulher de aproximadamente 40 anos que teria sido abusada pelo líder espiritual em outubro deste ano na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), onde ele atendia.

Segundo o delegado Valdemir Pereira da Silva, mais conhecido como Doutor Branco, titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), existem provas robustas contra o médium, que podem levá-lo a cumprir pena de 2 a 6 anos de prisão.

“Acreditamos que há provas suficientes para uma condenação. O depoimento da vítima foi contundente”, disse. Ele contou que nessa quarta (19), a mulher foi levada ao centro em Abadiânia e contou em detalhes o que teria ocorrido na sala de atendimento.

Relatou que, quando notou o pênis dele para fora da calça, ele teria interrompido o “tratamento”. Em seguida, teria pedido que ela não contasse sobre o atendimento a ninguém e a presenteou com dois quadros e uma pedra. “A vítima está assustada, ansiosa e com medo”, explicou o delegado pouco antes de entregar o inquérito no Fórum de Abadiânia.

Até o momento, 16 mulheres foram ouvidas pela polícia. O Ministério Público de Goiás já recebeu 506 e-mails com denúncias de abuso sexual contra o médium. De acordo com a polícia, esse pode ser único inquérito, já que os demais relatos de abuso são antigos e podem ter prescrito.

As denúncias contra ele vieram à tona no último dia 8, no programa Conversa do Bial, da TV Globo. João de Deus foi preso no domingo (16) e aguarda julgamento no Complexo Prisional da Aparecida de Goiânia. O médium nega todas as acusações.

Doutor Branco informou ainda que abriu novo inquérito contra João de Deus, por posse ilegal de armas. A polícia encontrou cinco armas na casa do líder espiritual e R$ 400 mil em espécie. A defesa do médium entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta (20).

Modus Operandi
De acordo com a delegada Karla Fernandes, também da Deic, os depoimentos colhidos demonstram o modus operandi do líder religioso. O padrão seria de mulheres com 30 anos a menos do que a idade do médium. Quando João de Deus tinha 50 anos, ele teria cometido abusos contra adolescentes. Nos episódios mais recentes, já septuagenário, as vítimas teriam por volta de 40.

Na maioria dos casos relatados, as mulheres buscaram o médium porque elas tinham dificuldades para engravidar ou estavam passando por problemas de relacionamento conjugal. “Eram pessoas vulneráveis. Inicialmente, não percebiam que estavam sendo abusadas, só depois que caía a ficha”, conta a delegada.

No depoimento de João de Deus, Karla Fernandes disse ter percebido um homem persuasivo, que mostra ter um controle muito grande da fala e equilíbrio emocional. Segundo a investigadora, o acusado não se alterou, exceto quando foi confrontado sobre a vítima mais recente. “Ele teve reação mais forte e depois disse que ela era uma pessoa complicada e não tinha credibilidade.”

“As vítimas têm que comparecer para narrar de forma personalíssima. Antes, muitas sentiam temor de falar porque a maioria não teve apoio da família”, disse a coordenadora da força-tarefa.

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