Paraisópolis: “chocado”, Doria agora promete revisar ações da PM

Governador de São Paulo recuou nas declarações, após afirmar que "nada mudaria" no protocolo de atuação na repressão a "pancadões"

atualizado 05/12/2019 17:53

NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO

Pressionado pelo surgimento de uma série de vídeos revelando agressões de policiais militares a frequentadores de bailes funks e moradores de comunidades, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), abandonou a postura inicial tomada logo após a tragédia de Paraisópolis  – que deixou nove mortos após ação desastrada da PM – e admitiu, nesta quinta-feira (05/12/2019), analisar e rever os protocolos de atuação da corporação.

“É uma circunstância inaceitável que a melhor polícia do Brasil utilize de violência ou de força desproporcional, sobretudo quando não há nenhuma reação de agressão”, declarou o tucano.

Logo na segunda-feira (02/12/2019), pouco mais de 24 horas depois das nove mortes na saída de um baile funk, Doria se apressou a sentenciar, categórico: “A política de segurança pública não vai mudar. As ações na comunidade de Paraisópolis e em outras comunidades de São Paulo, seja por obediência da lei do silêncio, por busca e apreensão de drogas ou fruto de roubos, vão continuar. A existência de um fato não inibirá as ações de segurança. Não inibe a ação, mas exige apuração”.

Quatro dias – e vários vídeos de moradores escancarando abusos policiais e protestos contra a violência – depois, o governador paulista alterou o tom.

“Como governador do estado de São Paulo, eu não aceito que no estado onde tendo sido eleito governador esse tipo de procedimento exista. E não mais vai existir”, afirmou Doria, em entrevista coletiva. “Ou pelo menos faremos tudo para que isso não aconteça. E revisar protocolos, revisar treinamentos e comandos para que nenhum policial militar aja dessa maneira.”

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