Paracatu: sem previsão de alta, atirador deve ser ouvido pela polícia

Apesar de estar na unidade terapia intensiva (UTI), o quadro clínico dele é estável. Vítimas foram enterradas nessa quarta-feira

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atualizado 23/05/2019 13:32

Enviado especial a Paracatu (MG) – Dois dias após matar a ex-namorada e outras três pessoas, o empresário Rudson Aragão Guimarães, 39 anos, continua internado no Hospital Municipal de Paracatu. Apesar de estar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o quadro clínico dele é estável.

O mais recente boletim médico de Rudson, divulgado às 10h desta quinta-feira (23/05/2019), não tem indicativo de alta. O atirador foi ferido pela Polícia Militar com tiros na mão e no ombro depois de invadir uma igreja evangélica.

Segundo a direção do hospital, o criminoso está isolado e tem reagido bem ao tratamento. “O paciente não teve alterações durante a noite e continua internado”, destaca a unidade médica sem dar mais detalhes.

Nesta quinta, Rudson deve ficar completamente lúcido pela primeira vez desde o ataque, ocorrido na última terça-feira (21/05/2019). Ele matou a ex-namorada com um golpe de canivete e outras três pessoas, ao abrir fogo contra fiéis dentro da igreja.

A administração do hospital evita dar informações sobre o estado dele devido à “repercussão do caso e por ele ser alvo de um inquérito policial”. O assassino responderá por quatro homicídios qualificados por motivação fútil e uma tentativa de homicídio.

Hospital Municipal de Paracatu
Fachada do Hospital Municipal de Paracatu onde Rudson está internado

 

Rudson deve ser ouvido pela delegada Thaís Regina da Silva, chefe da Divisão de Homicídios da 2ª Delegacia de Paracatu, ainda nesta quinta-feira. Ela já conversou informalmente com o atirador, mas como ele estava sob efeito de medicamentos, as informações não puderam ser incluídas no inquérito.

Nesta quinta, os investigadores começarão a ouvir formalmente as testemunhas dos crimes, analisarão os resultados das perícias e farão novas diligências. Ainda falta saber a origem da arma usada nos assassinatos e o que motivou a ação.

Passo a passo do crime
Por volta de 20h da última terça, Rudson foi à casa da mãe dele, onde também estava a ex-namorada Heloísa Vieira Andrade, 50. Lá, ele esfaqueou a mulher no pescoço com um canivete. Ela morreu a caminho do hospital devido a uma parada cardiorrespiratória.

Minutos depois, Rudson invadiu a igreja. Ele atirou contra Rosângela Albernaz, 50, e Antônio Rama, 67, que não resistiram aos ferimentos e morreram. A intenção dele, segundo a polícia, era matar o pastor Evandro, mas como ele fugiu com a ajuda de fiéis, alvejou o pai dele por vingança.

Rudson ainda rendeu outra fiel e a manteve sob ameaça. A Polícia Militar chegou ao local da ocorrência e tentou negociar. Nervoso, ele disparou contra Marilene Marins de Melo Neves, 38, a quarta vítima.

Quem é o atirador
Temperamental, impulsivo e envolvido com drogas. Rudson é descrito como um homem de difícil convivência.

Empresário do ramo imobiliário, as pessoas mais próximas contam que ele vivia o momento de maior conforto financeiro. Apaixonado por animais e motos, muitos estranharam a arrancada violenta contra a ex-namorada Heloísa Vieira Andrade.

Rudson prestou serviço militar obrigatório por um ano na Aeronáutica. Em suas redes sociais, diz ter estudado direito no UniCEUB, em Brasília. Atualmente, após o término com a namorada que assassinou, estava solteiro. Há alguns meses, foi internado por conta da dependência química.

Ele tem um perfil psicológico difícil de ser compreendido, segundo a delegada responsável pelo caso, Thaís Regina Silva. Ela conversou com Rudson nessa quarta-feira (22/05/2019), ainda no hospital.

“Ele me contou algumas coisas, mas como a sedação ainda estava sendo retirada, pontos ficaram desconexos. De toda forma, é perceptível que ele é temperamental. Isso é confirmado por familiares”, destacou a investigadora.

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