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Fazenda apresenta dados para tentar convencer BC a baixar juros

Pasta considera que há indicadores de desaquecimento da economia e tendência de baixa na inflação

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O Ministério da Fazenda acredita que a trajetória do cenário econômico no país é compatível com uma taxa de juros menor. O entendimento da pasta é que os dados do crescimento econômico e da inflação, somados a outros, indicam a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 15% ao ano.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (13/11), o secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, apresentou números que demonstram a redução no crescimento da economia, redução na projeção da inflação, e queda no ritmo de geração de empregos, bem como na renda média.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.

Para Mello, estes números, sobretudo os que indicam a “convergência da inflação para a meta”, podem levar à uma reflexão sobre o patamar da Selic, uma vez que a decisão sobre o índice também leva em conta outros fatores.

“Nós temos uma projeção que este processo [queda na inflação] deve continuar, que no ano que vem nós chegaremos em 3,5% e que em 2027 nós chegaremos em 3%. Essa trajetória é compatível, portanto, com uma flexibilização da política monetária, porque hoje ela está no campo significativamente ou extremamente restritivo”, afirmou.

Em 2024, a inflação do país fechou em 4,83%. O centro da meta atual para o indicador é de 3%, mas há tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Com isto, o objetivo pode ser considerado atingido se ela ficar de 1,5% a 4,5%. Atualmente, a meta é contínua, ou seja, não fecha no fim de cada ano. Ela é calculada mês a mês considerando-se os últimos 12 meses. Em outubro, o índice fechou em 4,68%.

Os argumentos defendidos pelo secretário fazem coro a uma fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última segunda-feira (10/11). “O que eu posso dizer é que eu acho que a taxa de juros, e todo mundo sabe qual é a minha opinião, tem espaço para corte.”

A perspectiva de Mello sobre a redução na taxa Selic foi feita durante a apresentação do Boletim Macrofiscal de Novembro, no ministério. O documento é um relatório bimestral responsável por divulgar as projeções de curto e médio prazo para os indicadores de atividade econômica e de inflação, utilizados no processo orçamentário da União.

Na entrevista coletiva, o secretário pontuou ainda que no primeiro trimestre do ano houve uma coordenação entre a política monetária e a política fiscal. A medida foi realiza diante da expecativa do escalonamento de preços que pressionariam a inflação.

“Se você olhar a liberação orçamentária, a execução orçamentária, em particular no primeiro semestre, vai perceber que é uma execução mais restrita. Ou seja, um impulso fiscal bem menor do que nos anos anteriores, no início do ano, combinado com uma política montéria também mais restritiva”, descreveu o secretário.

Decisão sobre a Selic

A taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O último encontro do colegiado foi nos dias 4 e 5 de novembro, quando ficou decidida a manutenção do índice em 15%. Uma nova deliberação está agendada para os dias 9 e 10 de dezembro deste ano, quando o grupo se encontra novamente.

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