Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC

Dos nove integrantes do Copom, sete foram indicados por Lula. No entanto, a taxa Selic continua em um patamar bastante restritivo

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil, em Brasília Metrópoles
1 de 1 Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil, em Brasília Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Nas próximas semanas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá indicar dois nomes para compor a diretoria do Banco Central (BC). Os indicados ocuparão os postos dos diretores Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica, que deixam os cargos em 31 de dezembro.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, e os oito diretores da autoridade monetária formam o Comitê de Política Monetária (Copom), que define a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Lula já havia indicado sete nomes do comitê, e agora vai substituir os dois últimos, escolhidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os nomes escolhidos pelo presidente precisam ser aprovados em sabatina no Senado Federal. A lei da autonomia do BC estipula mandatos fixos de quatro anos para todos os membros da diretoria.

No entanto, mesmo com maioria no colegiado, a taxa de juros no Brasil segue em patamares restritivos, fato que incomoda o governo Lula, já que impacta diretamente na vida dos brasileiros e pode afetar na popularidade do presidente.

Na última quarta-feira (5/11), a Selic foi mantida em 15% ao ano, com um comunicado apostando que esse nível de juros deve se manter por um período “bastante prolongado”.

O anúncio da manutenção da taxa já era aguardado pelo mercado financeiro, apesar disso, o que preocupou os agentes e o governo foi o tom utilizado no comunicado, anunciando que o inicio do corte de juros pode demorar mais para chegar.

O formato mais duro do anúncio fez com que economistas mudassem as projeções sobre quando o BC vai começar a cortar os juros, passando do começo de 2026 para março ou abril do próximo ano.

A decisão do colegiado pode influenciar Lula a indicar um nome mais moderado para as vagas nas diretorias, com uma postura mais “dovish“, termo utilizado no mercado para um direcionamento mais flexível, que tende a priorizar juros mais baixos.

Apesar das indicações do presidente, é importante destacar que a autoridade monetária é uma instituição técnica e independente, permitindo que as decisões sejam tomadas de acordo com o cenário observado.

Cobrança pela diminuição da taxa de juros

Com o objetivo de trazer a inflação para a meta, fixada em 3%, o Copom manteve um consistente ciclo de aperto monetário, levando a Selic ao maior patamar desde 2006.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, que também foi indicado por Lula, já afirmou que o fisco está “bastante incomodado” com a atual taxa de juros, no entanto, de acordo com ele, os diretores farão o que for necessário para ancorar as expectativas, mesmo que isso signifique manter um ciclo de restrição monetária.

A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o teto da meta é 4,5%. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação chegou a 5,17% no acumulado de 12 meses no mês de setembro.

Apesar do detalhamento do BC sobre as condições que favorecem a alta dos juros, como a desancoragem das expectativas de inflação, a alta dos preços e o aquecimento do mercado, o presidente Lula e a equipe econômica dele, cobraram que a autoridade monetária corte juros.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por exemplo, já afirmou que, se fosse diretor do BC, votaria pela diminuição da taxa. Em outro momento, o ministro declarou que tem medo que a “dose do remédio vire veneno”, fazendo analogia a necessidade de conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico do país.

Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - destaque galeria
4 imagens
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 2
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 3
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 4
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 1
1 de 4

Yanka Romão/Arte Metrópoles
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 2
2 de 4

Yanka Romão/Arte Metrópoles
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 3
3 de 4

Yanka Romão/Arte Metrópoles
Com Selic a 15%, o que esperar das próximas indicações de Lula ao BC - imagem 4
4 de 4

Yanka Romão/Arte Metrópoles

 

Confira os integrantes do BC indicados por Lula:

  • Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
  • Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
  • Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​;
  • Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
  • Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;
  • Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​;
  • Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?