Pela terceira vez seguida, BC mantém taxa Selic em 15% ao ano

Manutenção da taxa no patamar atual era esperada pelo mercado financeiro. Decisão se deu de forma unânime entre membros do colegiado

atualizado

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1 de 1 Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil, em Brasília Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (5/11), manter a taxa básica de juros do país, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado.

Esta é a terceira reunião consecutiva em que a taxa permanece no mesmo patamar, após sete aumentos seguidos, que elevaram a taxa ao maior patamar desde 2006.

A política monetária restritiva teve início em setembro do ano passado, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a Selic, que passou dos então 10,50% ao ano para 10,75% ao ano.

No comunicado, o comitê afirmou que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, afirmou o texto.

O texto disse, ainda, que o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária.

O BC ressaltou que avalia que a estratégia de manutenção da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

“O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.

Decisão do Copom

Os diretores do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Isso porque é missão do BC controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país, que seguem subindo, mas com menos força.

No último comunicado do comitê, o BC afirmou que vai utilizar como estratégia a manutenção da taxa de juros em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado devido às expectativas desancoradas.

“O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o texto.

Além disso, o colegiado enfatizou que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

imagem colorida diretoria do Banco Central, integrantes do Copom - Metrópoles
Diretoria do Banco Central em reunião do Copom

Apesar do comunicado indicando a manutenção do patamar restritivo, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária não está satisfeita com a alta da Selic, no entanto, Galípolo reforçou o compromisso do colegiado em trazer a inflação para a meta, fixada em 3% ao ano.

A declaração foi dada em um momento de forte cobrança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de membros de sua equipe econômica pelo começo do ciclo de corte de juros.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
  • Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato de Galípolo à frente do BC.
  • A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 9 e 1o de dezembro.

Expectativas do mercado para a Selic

Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche o ano em 15% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa.

As estimativas para os próximos anos também seguem as mesmas, confira abaixo:

Para 2026, os analistas projetam uma Selic de 12,38% ao ano.
Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 10,50% ao ano.
Para 2028, a estimativa continua em 10% ao ano.

As previsões indicam que o mercado não crê que a taxa Selic fique abaixo de dois dígitos até o fim deste governo, em 2026, nem mesmo do atual mandato de Gabriel Galípolo à frente do BC, que termina em 2028.

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