Em ata, Copom prevê Selic alta por período “bastante prolongado”
Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) detalha motivos para manter Selic em 15% ao ano
atualizado
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (23/9), a ata referente à reunião de setembro. Segundo o Copom, o ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos.
No documento, o Banco Central (BC) reforçou que a taxa Selic deve ficar em 15% por período “bastante prolongado” para alcançar o objetivo de colocar a inflação na meta de 3%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para o colegiado, “o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais”. Por isso, o cenário exige “particular cautela” por parte de países em desenvolvimento, como o Brasil, em um ambiente “marcado por tensão geopolítica”.
O Copom avaliou que os dados mais recentes da economia indicam uma moderação no ritmo de crescimento, o que traz “maior conviccção” de que o cenário previsto pelo BC está se confirmando.
Apesar de fatores que poderiam alterar essa trajetória, como estímulos fiscais e expansão do crédito, os efeitos observados até agora estão alinhados com o que era esperado. Em relação à inflação, a autoridade monetária apontou que as últimas leituras apresentam um quadro mais favorável, embora os níveis ainda estejam acima do que é considerado compatível com a meta estabelecida.
“O Comitê avalia que a reancoragem das expectativas de inflação reduz os custos da desinflação e entende que tal processo exige perseverança, firmeza e serenidade”, diz a ata.
Na quarta-feira (17/9), o Copom manteve a taxa básica de juros do país, a Selic, em 15% ao ano – o maior patamar desde 2006. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado. Esta foi a segunda reunião consecutiva em que a taxa permanece no mesmo patamar, após sete aumentos seguidos.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula (PT) e o mandato de Gabriel Galípolo à frente do BC.
- Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
- A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 04 e 05 de novembro.
A política monetária restritiva teve início em setembro do ano passado, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a Selic, que passou dos então 10,50% ao ano para 10,75% ao ano. A taxa de juros deve ficar em 15% ao ano pelos próximos 45 dias.
