Otto defende Jaques e critica articulação de Gleisi: “Nunca me ligou”

Presidente da CCJ do Senado avalia que o líder do governo não tem o apoio necessário do Planalto após derrota na Dosimetria

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Senador Otto Alencar (PSB-BA)
1 de 1 Senador Otto Alencar (PSB-BA) - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), saiu em defesa do líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), após ser alvo de críticas por ter fechado um acordo para votar a Dosimetria sem anuência do Planalto.

Ao Metrópoles, o governista elogiou a atuação do seu conterrâneo no Senado e que ele não tem tido apoio do governo para as articulações que tem conduzido na Casa e sinalizou que seria um erro que Jaques Wagner deixe a liderança do governo.

“O Wagner é um ótimo líder e tem se dedicado muito ao governo, carregando um peso muito grande porque não tem tido contrapartida por parte do governo para resolver tanta coisa. O governo aprovou tudo que quis com a liderança dele, ele é muito da confiança do presidente e não vejo motivo de que ele possa perder a liderança. Quem perde é o governo”, disse.

Após a aprovação da Dosimetria, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que a condução de Wagner foi um “erro lamentável”. O projeto acabou aprovado por 48 votos a 25 no plenário. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não acertou qualquer acordo e voltou a afirmar que vetaria a Dosimetria.

Otto Alencar, que preside a CCJ e se firmou como um forte opositor ao projeto de lei que reduz penas e acelera a progressão de regime para condenados pelo 8 de Janeiro, disse que Gleisi Hoffman, responsável pela articulação do governo, nunca o procurou para tratar desse “ou qualquer outro tema”.

“O Jaques não tem a estrutura que ele deveria. Muitos senadores chegam com demandas e ele não consegue resolver sozinho, o que tem impacto nas votações”, afirmou.

No plenário, Jaques disse não ter algum arrependimento pela articulação que realizou. Declarou que a situação na CCJ foi “sem saída” e que” respeitar a democracia significa respeitar o resultado da votação, seja ela popular, seja ela nesta Casa”.

“Eu quero dizer que não me envergonho de nada. Estou muito tranquilo com aquilo que fiz e que acho que foi correto. Evidentemente, alguns poderiam querer postergar esse debate para fevereiro, depois do nosso recesso. Na minha opinião, isso não mudaria o resultado que será proclamado”, disse.

Otto Alencar também criticou a ausência dos líderes do governo durante a votação na CCJ. Ao todo, governistas apresentarem três requerimentos para adiar a votação da Dosimetria, mas foram derrotados pela oposição.

Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues passaram a manhã na reunião ministerial de Lula. O líder do PT na Casa, Rogério Carvalho (SE), estava no seu estado e participou de maneira remota. Em mais de uma ocasião, Otto Alencar pediu a presença dos líderes para segurar a tramitação. Mas os reforços nunca chegaram.

Alcolumbre e Lula 

Na avaliação do senador baiano, 2026 deve ser um ano difícil para o governo no Senado diante do esvaziamento decorrente do ano eleitoral. Por outro lado, o governo Lula também enfrenta desafios na articulação, já que a relação com o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está tensionada.

Otto Alencar disse que no que diz respeito à relação institucional, a relação está mantida, mas aponta um distanciamento pessoal entre os políticos. O senador baiano, que tem trânsito entre o Planalto e do gabinete da presidência do Senado, tem tentado mediar um encontro entre Lula e o presidente do Senado, mas disse que não “pode colocar os dois para conversar”.

“Tenho conversado com o Davi [Alcolumbre], e lá atrás conversei com o presidente Lula para reestabelecer o dialogo, mas também não posso colocar os dois para conversar. A relação institucional se mantém, mas relação pessoal teve um tensionamento sim”, disse.

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