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Olinda: prefeito quer obrigar folião a consumir bebida do patrocinador

Prefeitura distribuiu manual a comerciantes e ambulantes da cidade com produtos proibidos no Carnaval; MP se posiciona contra medida

Celimar de Meneses14/02/2023 17:44, atualizado 16/02/2023 11:17
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divulgação/ prefeitura de olinda
Carnaval de Olinda

Dona do Carnaval mais tradicional do Brasil, a cidade de Olinda (PE) proibiu que comerciantes vendam aos foliões produtos que não sejam de patrocinadores do evento. A prefeitura do município distribuiu, nessa segunda-feira (13/2), a três dias da festa, um guia aos vendedores com os produtos vetados.

A medida gerou revolta e políticos locais acionaram o Ministério Público. O órgão expediu recomendação nesta terça-feira (14/2) se posicionando contra a proibição.

“Que se abstenha da prática de exclusividade de comercialização de marca de bebidas e outros que patrocinam o Carnaval de Olinda, garantindo a liberdade de venda de produtos que atendam às especificações de segurança e às regulações sanitárias, para garantia do princípio da livre concorrência e dos direitos do consumidor”, diz o MP na recomendação.

São permitidas as seguintes bebidas no Carnaval da cidade pernambucana: 

Bebidas alcoólicas:

  • Pitú
  • Devassa
  • Heineken

Bebidas não alcoólicas:

  • Monster
  • Schweppes
  • Crystal
  • Coca-Cola
  • Fanta
  • Sprite
  • Kuat

Nesta segunda, o vereador Vini Castello (PT) criticou a decisão da prefeitura, que classificou como “elitista”. O manual distribuído deixa de fora as cervejas consideradas populares, como as da Ambev. Bebidas como Skol, Stella Artois, Pepsi e Guaraná estão na lista de proibidas.

“A três dias do Carnaval, a gestão do prefeito Lupércio lança um guia do que pode ou não pode comercializar. O comerciante que investiu pra trabalhar em Olinda arcando com a falta de organização e planejamento de quem deveria gerir a cidade”, afirmou nas redes sociais.

O mesmo vereador foi quem acionou o Ministério Público com o objetivo de barrar a proibição imposta pela Prefeitura de Olinda.

A reportagem questionou a Prefeitura de Olinda sobre a medida, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Olinda afirma que a medida é importante para garantir o patrocínio e reduzir o gasto de dinheiro público para a festa e garante que não é a única cidade a implementar a medida.

Além disso, a prefeitura conta que implementou um programa de crédito para ajudar o ambulante que vai trabalhar no período carnavalesco.

Veja a íntegra da manifestação da prefeitura: 

A Prefeitura de Olinda recebeu e respeita a recomendação do Ministério Público de Pernambuco. No entanto, o município ressalta que é importante garantir o patrocínio. O investimento privado é necessário para a promoção do Carnaval 2023, e reduz, assim, o uso de dinheiro público para a realização da folia. Ressaltamos ainda que a prática não é nova e exclusiva de Olinda. Outros grandes eventos, de anos anteriores e em várias cidades dos estados do Brasil, foram realizados com patrocínio de empresas privadas e com exclusividade cedida ao investidor.

A Prefeitura de Olinda ressalta, ainda, que implementou um Crédito Popular Especial, voltado aos ambulantes que vão exercer atividades durante o ciclo carnavalesco 2023. A iniciativa tem como alvo os trabalhadores que, neste ano, retomam às ruas, após dois anos de paralisação, em virtude da pandemia da Covid-19. Os recursos, que beneficiam também aos catadores de recicláveis, se destinam a aquisição de insumos para a comercialização, incluindo alimentos e bebidas, promovendo a geração de renda, movimentando a economia local e impactando no sustento de centenas de famílias. Pela medida, os cidadãos poderão contrair um empréstimo facilitado, no valor de R$ 500,00, a ser quitado em dez parcelas mensais”

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