Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Novo presidente terá 2 indicações para o BC em 2026. Saiba para quais áreas

O mandato de dois diretores do BC acabou no dia 31 de dezembro de 2025 e até o momento não houve nenhuma indicação de substituição

11/10/2026 04:00
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Copom alerta para risco da política fiscal do governo desde janeiro

O presidente eleito no dia 25 de outubro, segundo turno das votações, poderá indicar dois diretores para o Banco Central (BC) no próximo ano.

Isso porque os diretores Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica, deixaram os cargos no dia 31 de dezembro de 2025.

Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não indicou novos nomes para recompor a diretoria da autoridade monetária e o Comitê de Política Monetária (Copom).

Existe o entendimento de que, mesmo que Lula não seja reeleito, ele poderia indicar os dois nomes ainda em 2026, no entanto, dificilmente as indicações avançariam na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que precisa aprovar os nomes.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

No caso de eleição do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), as indicações devem ocorrer já nos primeiros meses de 2027, após assumir o mandato.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Lula poderia ter indicado nomes no começo deste ano, mas resolveu esperar. Caso indicasse e os nomes fossem aprovados, o presidente teria uma diretoria inteiramente composta por suas indicações.

No entanto, o governo preferiu priorizar a indicação de um nome para o Supremo Tribunal Federal (STF), quando apresentou o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga.

No entanto, em uma derrota histórica, o nome foi rejeitado no plenário do Senado, em uma articulação de parlamentares que preferiam o nome do então senador Rodrigo Pacheco, que agora assumiu posto como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Foi um revés sem precedentes para o governo, que após a derrota, preferiu segurar as indicações para o BC com receio de que o mesmo pudesse acontecer.

Banco Master

Além disso, a autoridade monetária vive um momento conturbado, após o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o envolvimento de alguns servidores do banco com esquemas fraudulentos de facilitação de acesso a documentos e informações privilegiadas.

A diretoria também sofreu forte ataque após vetar a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), em uma operação considerada irregular pelos técnicos da autarquia.

Indicações

Mesmo que Lula decidisse por nomes e fizesse a indicação ainda em outubro para o tema ser pautado na CAE, é provável que os diretores não fossem sequer sabatinados. Isso ocorre porque geralmente antes da apreciação dos senadores, os postulantes ao cargo fazem o famoso “beija mãos”, período em que visitam gabinetes de parlamentares para defender seus interesses e garantir os votos necessários.

No entanto, a medida leva tempo e o cronograma seria de cerca de 1 mês e meio, já que o resultado das eleições sai fim de outubro e em dezembro o Congresso Nacional começa a ficar esvaziado com o fim de ano.

Até o momento, Lula ainda não deu indícios de quais nomes poderia escolher para as cadeiras no Banco Central. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que é preciso esperar pelo momento em que Lula entender como certo para realizar as indicações.

“É prerrogativa do presidente da República, como vocês imaginam, o presidente tem outros temas na mesa dela além deste tema”, disse no começo do ano.

O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o presidente nunca tratou sobre o tema com ele, mas que estaria pronto para apresentar nomes quando fosse solicitado.

A campanha de Flávio também não trouxe possíveis nomes para a composição da diretoria. Se for eleito, ele ainda terá de lidar com nomes para cargos de extrema relevância, como o Ministério da Fazenda.

Atual diretoria do BC

As duas vagas para o BC são na diretoria de Organização do Sistema Financeiro e na diretoria de Política Econômica. Os antigos diretores foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A lei da autonomia do BC estipula mandatos fixos de quatro anos para todos os membros da diretoria.

Confira os integrantes do BC indicados por Lula:

  • Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
  • Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
  • Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​;
  • Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
  • Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;
  • Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​;
  • Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

A expectativa era que com um BC composto integralmente por indicados de Lula, possivelmente de tendências mais moderadas, chamadas de “Dovish” no jargão econômico, para descrever posturas mais flexíveis e expansionistas com relação a taxa básica de juros e inflação, com o objetivo de favorecer o crescimento econômico e de empregos.

Mesmo sem isso acontecer, o BC tem flexibilizado a taxa de juros, que atualmente está em 13,75% ao ano. Na primeira reunião do ano, em janeiro, o patamar dos juros era de 15% ao ano.

Apesar disso, em sua comunicação, o Copom avalia os esforços da autoridade monetária são suficientes para trazer a inflação para a meta, de 3% ao ano, mas que seguirá acompanhando os cenários a luz dos acontecimentos, sem dar muitos detalhes sobre o rumo da política monetária.

Apesar disso, economistas enxergam espaço para ao menos mais um corte este ano, levando a taxa de juros a 13,50% ao ano no final de 2026. 


Entenda o que é o Copom

  • O Comitê de Política Monetária é o órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic;
  • O grupo usa a Selic para controlar a inflação, quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir;
  • O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação;
  • O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa;