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Brasil

BC sobe para 90% chance de inflação furar o teto da meta em 2026

Probabilidade reflete pressões persistentes sobre preços e piora nas expectativas do mercado, apesar de juros ainda em patamar restritivo

24/09/2026 11:46, atualizado 24/09/2026 11:49
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A 18 dias da eleição, BC define rumo da taxa de juros nesta quarta (16/9)

O Banco Central (BC) elevou para 90% a probabilidade de a inflação encerrar 2026 acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), indicando deterioração do cenário inflacionário mesmo em um ambiente de política monetária restritiva.

A meta de inflação para este ano é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece teto de 4,5%.

O número foi apresentado no Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (24/9). No último trimestre, segundo o BC, a chance era de 79%.

Segundo o diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, apesar das surpresas com a inflação no trimestre encerrado em agosto, que foi inferior ao esperado, as projeções mensais de curto prazo indicam elevação da inflação acumulada em 12 meses, que deve voltar a exceder o limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta de inflação.

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Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 4,22% no acumulado de 12 meses, com recuo de 0,32%.

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O Ministério da Fazenda também revisou as projeções de inflação para o final de 2026, levando o patamar a 4,9%, acima do teto da meta.

O BC explicou que mesmo com esse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) vem adotando uma postura cautelosa.

A taxa básica de juros, Selic, foi reduzida nas últimas reuniões, mas segue em patamar considerado restritivo, 13,75% ao ano, como forma de conter a demanda e buscar a convergência da inflação à meta.

Na ata mais recente, divulgada na terça-feira (22/9), o BC destacou que o ambiente econômico ainda é marcado por elevada incerteza, tanto no cenário doméstico quanto no externo.

Entre os riscos, o comitê cita a trajetória das contas públicas, a evolução da atividade econômica e fatores globais, como tensões geopolíticas e volatilidade de commodities.