Nova contagem indica 84 mortos e 276 desaparecidos em Brumadinho

Informação é da Defesa Civil de Minas Gerais. Neste quinto dia de buscas, peritos criminais completaram a identificação de 42 mortos

atualizado 29/01/2019 20:44

Igo Estrela/Metrópoles

Enviados especiais a Brumadinho (MG) – Subiu para 84 o número de mortos em Brumadinho (MG), local onde uma barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, rompeu na sexta-feira (25/1). Agora, segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, há 276 pessoas desaparecidas. A Polícia Civil, com o apoio de peritos de várias partes do Brasil, identificou até agora 42 mortos. O balanço foi divulgado na noite desta terça (29).

As autoridades receberam informações quanto ao paradeiro de 391 pessoas antes dadas como desaparecidas. Além disso, foram resgatadas 192 pessoas. Contudo, desde sábado (26), as equipes não localizam mais sobreviventes, só encontrando corpos pelo caminho por onde se espalhou a lama tóxica que escorreu da barragem.

Os socorristas concentram os trabalhos ao longo do dia na área onde funcionavam refeitório e o prédio administrativo da Vale, além de uma pousada – todas as estruturas foram destruídas pela lama. Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros do estado, Pedro Aihara, os militares terminaram nesta terça de realizar as buscas na região onde um micro-ônibus da Vale estava soterrado: foram retirados de lá, hoje, mais três corpos. Outros dois cadáveres estavam na área onde funcionava o refeitório da empresa: havia botijões de gás e itens de cozinha no local.

Este quinto dia de buscas conta com a participação de 290 militares. São 120 de Minas Gerais e o restante é de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás e Alagoas. Os brasileiros atuam lado a lado com a equipe enviada à região pelo governo de Israel. Ao Metrópoles, a equipe estrangeira, formada por 136 profissionais, informou ter recuperado 15 corpos só na segunda-feira (28).

Desastre
A barragem Mina Feijão, em Brumadinho, rompeu-se por volta das 13h de sexta-feira (25/1). O vazamento de lama fez com que uma outra barragem da Vale transbordasse. O restaurante da companhia foi soterrado, assim como o prédio administrativo da mineradora.

A lama se espalhou pela cidade, e moradores precisaram deixar suas casas. Equipes de bombeiros e da Defesa Civil foram mobilizadas para a área e estão em busca de vítimas. Tanto o governo federal quanto o local (do município e do estado) montaram gabinetes de crise e deslocaram autoridades para a região. Até agora, 81 mortes foram confirmadas e 19 corpos estão identificados.

Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, apesar de remota, ainda existe a possibilidade de os socorristas encontrarem pessoas com vida. Eles têm usado cajados e se arrastado pela lama em busca de sobreviventes e corpos. A estimativa é que os trabalhos durem ao menos até julho. Os bombeiros explicam que o serviço está sendo feito em etapas. Primeiramente, os helicópteros sobrevoam a região à procura de pessoas ou animais.

“Estou me guiando pelo cheiro. Como já tem quatro dias, acho que assim vai ser mais fácil encontrar”, disse o agricultor aposentado Jair Ferreira dos Santos, de 60 anos, que caminha há três dias em busca do corpo do irmão, Paulo Santos, 40, morador de um sítio próximo à barragem que se rompeu.

Colaboraram Ana Helena Paixão e Larissa Rodrigues

Veja imagens da tragédia:

 

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Gui Prímola/Metrópoles

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