No Brasil, 59% das estradas apresentam problemas. No DF, são 45%

Pesquisa da CNT mostra que rodovias têm falhas no pavimento, sinalização e até mesmo falta de acostamento

atualizado 22/10/2019 12:02

Andre Borges/Esp. Metrópoles

Cinquenta e nove por cento das estradas brasileiras apresentam algum tipo de problema. O panorama está na mais recente Pesquisa CNT de Rodovias, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A entidade avaliou 108 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais pavimentadas.

Segundo a CNT, falhas ligadas ao pavimento afetam mais da metade das rodovias brasileiras, acometendo 52,4% das estradas. A sinalização é problema em 48,1%. Falta acostamento em 45,5% dos trechos avaliados. Nos trechos com curvas perigosas, em 41,7% não há acostamento.

A pesquisa identificou 797 pontos críticos no país — alta de 75,6% em relação ao estudo anterior. Desses, 130 são erosões na pista, 26 quedas de barreira, duas pontes caídas e 639 trechos com buracos grandes. Para recuperar as rodovias com ações emergenciais, de manutenção e de reconstrução, são necessários R$ 38,6 bilhões.

As más condições das estradas geram, segundo a pesquisa, um aumento no custo operacional que chega a 28,5%. “Isso reflete na competitividade do Brasil e no preço dos produtos”, destaca a pesquisa.

Vander Costa, presidente da CNT, lamentou os resultados. “Não temos boas notícias. Houve uma piora em relação a 2018. Até mesmo as rodovias técnicas tiveram piora. O caminho continua sendo a concessão para um governo descapitalizado”, destacou. Na avaliação dele, até mesmo a sinalização que é algo barato e que vinha sendo bem executado teve piora.

“Em 2020 teremos o menor investimento em 16 anos. O máximo que será possível é uma manutenção no que já temos. Diante disso, não tem outra alternativa a não ser acelerar a privatização”, pondera.

Investimentos em ritmo baixo
Cálculos da CNT mostram que o governo investiu 63,2% do total previsto para este ano. A infraestrutura rodoviária feita pelo governo federal foi orçada em R$ 7,57 bilhões. Até setembro, foram utilizados R$ 4,78 bilhões.

Entre os alertas feito pela pesquisa, está o custo dos acidentes e a penalização do meio ambiente. Segundo o levantamento, o prejuízo foi de R$ 9,73 bilhões em 2018. No mesmo período, o governo gastou R$ 7,48 bilhões com obras de infraestrutura rodoviária de transporte.

Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná são os estados que mais tiveram custos com acidentes em 2018. O prejuízo chega a R$ 1,26 bilhão em Minas Gerais, R$ 1,05 bilhão em Santa Catarina e R$ 1,04 bilhão no Paraná. No Brasil, esse custo foi de R$ 9,73 bilhões.

A pesquisa estima que haverá um consumo desnecessário de 931,8 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento. “Esse desperdício custará R$ 3,30 bilhões aos transportadores”, frisa o documento.

Ranking e DF
Para a CNT, a capital federal está entre as unidades com as melhores condições de asfalto. A pesquisa mostra que somente 44,8% das vias do DF apresentam algum tipo de problema. Em alguns casos, como no Pará, por exemplo, o índice chega a 80%.

Com relação ao pavimento, há problemas em 39,1% das rodovias do DF e 60,1% são consideradas satisfatórias. No quesito extensão, 46,1% do total é considerado regular, ruim ou péssimo. Já 53,9%, ótimo ou bom. A faixa central é inexistente em 2,1% da extensão e as faixas laterais em 12,3%, entre os melhores índices do país.

As condições do pavimento na capital federal, mesmo entre as melhores do país, geram um aumento de custo operacional do transporte em 28,2%. Para recuperar as rodovias no Distrito Federal, com ações emergenciais, a CNT calcula que são necessários R$ 297,60 milhões. Não foram encontrados pontos críticos em Brasília.

Amazonas tem o pior estado geral do Brasil. Lá, 100% das rodovias avaliadas apresentam algum tipo de deficiência no pavimento, na sinalização ou na geometria da via. Todas as rodovias pesquisadas no Acre apresentam problemas na geometria da via (que envolve a presença de acostamento, entre outras características).

Maranhão, Ceará e Rio Grande do Sul concentram 49,8% dos 797 pontos críticos de todo o país. Foram identificados 213 no Maranhão (26,7%), 106 no Ceará (13,3%) e 78 no Rio Grande do Sul (9,8%).

Alagoas e São Paulo são as unidades da Federação com as melhores avaliações do estado geral, pavimento e sinalização: 86,4% da extensão pesquisada de Alagoas e 81,8% de São Paulo são consideradas ótimas ou boas.

O Metrópoles entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas não obteve resposta. O  espaço continua aberto para manifestações.

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