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Nem Flávio, nem Lula: quatro estados elegeram governadores de "3ª via"

Quatro estados brasileiros conseguiram romper o ciclo da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e eleger governadores de outras legendas

05/10/2026 19:26
Arte/Metrópoles
Flávio Bolsonaro e Lula

Quatro estados brasileiros elegeram governadores da 3ª via nesse domingo (4/10), no 1º turno das eleições gerais. Amapá, Goiás, Maranhão e Pernambuco elegeram candidatos que não eram apoiados diretamente nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nem pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

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Lula e Flávio disputam o 2º turno das eleições presidenciais no dia 25 de outubro e são considerados símbolos da polarização no país. O embate entre os dois foi levado ainda para as disputas estaduais, com os dois candidatos à Presidência da República apoiando candidatos em quase todos os estados do país.

Quatro estados, contudo, destoaram do cenário de polarização e elegeram candidatos que não estavam alinhados nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro. Foram eles:

Nem Flávio, nem Lula: quatro estados elegeram governadores de “3ª via” - destaque galeria
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Daniel Vilela (MDB) foi eleito governador em Goiás
Eduardo Braide (PSD), eleito governador do Maranhão
Raquel Lyra (PSD) foi eleita governadora em Pernambuco
Dr. Furlan, prefeito de Macapá, foi eleito governador do Amapá
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Dr. Furlan, prefeito de Macapá, foi eleito governador do Amapá

Reprodução
Daniel Vilela (MDB) foi eleito governador em Goiás
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Daniel Vilela (MDB) foi eleito governador em Goiás

Divulgação/Secom-GO
Eduardo Braide (PSD), eleito governador do Maranhão
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Eduardo Braide (PSD), eleito governador do Maranhão

Divulgação
Raquel Lyra (PSD) foi eleita governadora em Pernambuco
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Raquel Lyra (PSD) foi eleita governadora em Pernambuco

Raquel Lyra PSDB PE/ divulgação

Eleição no Amapá

Eleito com 62% dos votos, Dr. Furlan (PSD) é descrito por aliados como conservador, mas não bolsonarista. O ex-prefeito de Macapá derrotou nas urnas o candidato aliado do senador e presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil), que vinha apoiado o atual governador Clécio Luís (União Brasil) para a reeleição no estado.

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Clécio Luís era o nome apoiado pelo presidente Lula na disputa ao Executivo estadual do Amapá. O candidato do PSD, contudo, evitou associações ao Partido Liberal (PL) ou até mesmo a Flávio Bolsonaro (PL), embora acene para pautas mais alinhadas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A candidatura de Furlan contava com o apoio de quatro partidos do chamado “Centrão“: União Brasil, Progressistas, Republicanos e MDB. As legendas neste ano formalizaram posição de neutralidade para as eleições presidenciais e, assim, o candidato do PSD conseguiu se afastar da polarização nacional e não declarou apoio a Lula e nem a Flávio Bolsonaro no 1º turno.

O PSD de Furlan também tinha candidato próprio lançado ao Palácio do Planalto, o ex-governador de Goiás, Ronald0 Caiado, que ficou em quinto lugar na disputa com cerca de 2,18% dos votos. Após a derrota nas urnas, o PSD renovou a neutralidade para o 2º turno e deixou aos diretório estaduais a decisão de quem apoiar (ou não apoiar ninguém) no dia 25 de outubro.


Eleições no Brasil

  • O Brasil deu início às eleições para presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e distrital neste ano.
  • O 1º turno no Brasil ocorreu nesse domingo (4/10) e definiu a composição das Assembleias Legislativas estaduais e da Câmara Legislativa do Distrito Federal, além de parte das bancadas que representarão os estados no Congresso Nacional.
  • A disputa pela Presidência da República será decidida no 2º turno, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A votação está marcada para 25 de outubro.
  • Em relação aos Executivos estaduais, 20 estados elegeram governadores ainda no 1º turno, as outras sete unidades federativas definem seus respectivos governadores no dia 25.

Daniel Vilela na 3ª via de Goiás

Governador eleitor em Goiás, Daniel Vilela (MDB) também furou a bolha da polarização com sua eleição. Carregando o espólio de Ronaldo Caiado (PSD) e com o apoio do ex-governador de Goiás, Vilela foi eleito com 59% dos votos.

O candidato se destacou ainda em meio aos candidatos de Lula e Flávio Bolsonaro, que lançaram candidatos próprios no estado. Wilder Morais (PL), angariou 21% dos votos no estado e ficou em segundo lugar na disputa; e Luis Cesar Bueno (PT) obteve 9,28% dos votos no estado.

Reprodução / Governo de GoiásVice de Caiado, Daniel Vilela
Daniel Vilela era vice de Ronaldo Caiado no governo de Goiás

Braide também furou polarização no Maranhão

Assim como observado no Amapá e em Goiás, o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) também conseguiu conter a onda da polarização no estado com sua candidatura. Embora tenha recebido investidas do PT local em busca de uma aliança, o candidato do PSD seguiu sua candidatura sem manifestar apoio a Lula ou a Flávio Bolsonaro.

O candidato do PSD foi eleito com 54% dos votos e representava uma espécie de terceira via no Maranhão entre petistas e dinistas — nome utilizados para se referir a políticos próximos ao ministro Flávio Dino, que possui trajetória política no estado. Sua eleição foi ainda um ciclo de rompimento no estado, que tradicionalmente elege políticos alinhados ao petismo.

Resultado das eleições para o governo no Maranhão: 

  • Eduardo Braide (PSD): 54%
  • Orleans Brandão (MDB): 34%
  • Felipe Camarão (PT): 9%
  • Roberto Rocha (PRTB): 1%
  • André Luis (Missão): 0,2%
  • Saulo Arcangeli (PSTU): 0,1%
  • Reginaldo Lima (PCB): 0,03%
  • Dimas Cassimiro (PCO): 0,01%

Raquel Lyra evitou acenos a Lula

A reeleição de Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco também conseguiu romper a bolha da polarização com a postura pragmática que adotou ao longo da campanha, evitando acenos diretos ao presidente Lula. Embora se encaixe em uma ala mais progressista do partido e tenha proximidade com o petista, a governadora de Pernambuco evitou polarizar sua candidatura.

Ela foi reeleita com 53% dos votos e derrotou o ex-prefeito de Pernambuco João Campos (PSB), o candidato de Lula no estado. Ao longo da corrida eleitoral, a campanha de Campos tentou associar a imagem de Raquel Lyra à de Flávio Bolsonaro, em uma estratégia que não foi suficiente para impedir a vitória da governadora.

Após o resultado que lhe deu a reeleição, a candidata do PSD agradeceu ao presidente Lula pela sua trajetória política, mas afirmou que não pretende declarar apoio ao petista no 2º turno.

Ricardo Stuckert/Presidência da RepúblicaLula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife
Lula, Raquel Lyra e João Campos no Galo da Madrugada, em Recife